terça-feira, 24 de novembro de 2015

Encontro Regional: Movimento Pro Novo Aeroporto faz Manifestação Popular


A Internacionalização do Leite Lopes interessa a quem? Você está por dentro do assunto?


Sem muita pomba e circunstâncias, e com muitos assentos vazios, a Prefeita de Ribeirão Preto promoveu uma reunião ontem de manhã (23/11) para buscar envolver 82 cidades da região no projeto de internacionalização do aeroporto Leite Lopes.

Lá estavam os vereadores governistas, secretários municipais e empresários. Só não tinha uma coisa: povo.
Foto: site da Prefeitura Municipal

Nesta altura do campeonato, com todas as transformações políticas que a sociedade vem exigindo, é lamentável que um assunto tão importante acabe passando ao largo da opinião pública e que a existência de um amplo movimento de oposição à esta obra seja ignorado por muitos.


Como sempre, os representantes do poder público buscam formar parcerias com o 'setor empresarial' e propagandeiam mil maravilhas sobre o projeto. Um certo vereador governista publicou nas redes sociais, todo orgulhoso, que havia participado com '82 cidades' (não tinha meia dúzia de pessoas lá dentro da reunião) da formação da 'mobilização da Alta Mogiana' pela internacionalização do Leite Lopes: "7 mil empregos, 300 milhões em impostos", dispara feliz o edil.

Mas, e aí?, pergunta esse modesto blog. Por que nenhuma palavra sobre os problemas sociais daquela região? Por que nenhuma palavra sobre a necessidade de remoção em massa de famílias que lá vivem, inclusive em dezenas de ocupações por moradia?

Será mesmo que uma administração em fim de mandato em parceria com o 'setor empresarial' e com políticos adesistas pode mesmo decidir sobre um assunto tão sério sem um debate que envolva a população?

No movimento que se opõe à esta obra no Leite Lopes há líderes comunitários, advogados e engenheiros com argumentos sólidos para colocar na mesa de debate. Por que eles não foram convidados para a reunião?

Você já se perguntou sobre o que significa um avião de grande porte sobrevoando, abrindo o trem de pouso sobre casas, pousando e decolando dentro dos limites do município? Você já se perguntou quanto custará o processo de remoção das pessoas que lá habitam e como será feito isso? Ou o povo pobre e trabalhador daquela região não tem direito a falar?

O blog O Calçadão vai buscar se aprofundar neste assunto mas, de imediato, temos a opinião de que é muito bem-vindo um aeroporto internacional que traga empregos e divisas, mas não ali no Leite Lopes. Felicitamos a decisão sensata do Ministério Público Federal de recomendar à União que não coloque mais dinheiro no projeto enquanto as questões judiciais que tramitam não forem resolvidas.

E se realmente há uma mobilização de 82 cidades em torno do assunto, ótimo, tem-se mais força e condições de se buscar um local para construir um aeroporto novo que não impacte a vida de trabalhadores e não coloque em risco toda uma cidade.

É preciso entendermos que vivemos em tempos diferentes. Chega de ficarmos de fora dos debates e nos conformarmos com propagandas pró-forma de políticos profissionais com claras intenções eleitorais.

É muito mais prudente que este assunto fique para ser debatido nas eleições do ano que vem, por uma questão de legitimidade. A população tem o dever de exigir o posicionamento dos candidatos vindouros com relação a esse assunto e não confiar nas palavras, com todo respeito, de uma administração incapaz de resolver os problemas do asfalto e que só faz obras com dinheiro federal.

Aqui deixamos como documentos para consulta os manifestos publicados pelas organizações sociais e de moradia que atuam na região do aeroporto. Voltaremos ao assunto em breve.

O Calçadão

Me chamo Marcos Valério Sérgio , sou líder comunitário no entorno do Aeroporto Leite Lopes  desde 1997 e membro do Movimento Pró Novo Aeroporto para a Região de Ribeirão Preto. Tendo em vista o Encontro Regional proposto pela Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto para pedir apoio político e empresarial na ampliação do aeroporto Leite Lopes , como se essa fosse a única opção, tentando vender a “mercadoria Ribeirão Preto”, é importante ressaltar que a população de nossa cidade é contra e luta pela opção de um aeroporto novo em local adequado e mais seguro que atenda as necessidades presentes e futuras da região Metropolitana de Ribeirão Preto .



Prefeita evita manifestantes contrários às obras no aeroporto

Blog do Galeno
23/11/2015
Moradores contrários à ampliação do Leite Lopes roubaram a cena na reunião convocada pela prefeitura com líderes regionais e estaduais nesta segunda (23/11), no Theatro Pedro II
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Não só os representantes da prefeitura e do governo estadual e lideranças da cidade e da região estiveram na reunião convocada pela prefeita Dárcy Vera, na manhã desta segunda (23/11), no Theatro Pedro II, para tentar uma acareação entre autoridades federais e estaduais e pressionar pelas obras de ampliação do Aeroporto Leite Lopes. Manifestantes do Movimento Pro Novo Aeroporto, contrários às obras que classificam como "puxadinhos", apareceram meia hora antes da chegada dos convidados e distribuíram panfletos contra a iniciativa, advertindo sobre o risco de "uma nova Congonhas" na zona urbana de Ribeirão.
A ideia do encontro era estipular prazos para os acordos de ampliação do Leite Lopes. A prefeitura tenta iniciar as obras, que se encontra em estágio de pré-projeto, o mais rápido possível, e dentro da atual gestão, que termina em dezembro de 2016. Manifestantes argumentaram que há 20 anos levantam a mesma questão: para eles, o endereço do Leite Lopes não é o melhor lugar de Ribeirão para abrigar um aeroporto internacional.
O convidado de maior destaque à reunião, ministro Eliseu Padilha não esteve presente, como já era esperado. É o chefe da Secretaria da Aviação Civil quem articula com a administração municipal o envio de verbas federais para as obras. Durante o encontro, Dárcy afirmou que irá à Brasília cobrar o ministro na quinta, 26/11. O secretário estadual dos Transportes, Antônio Duarte Nogueira (PSDB), também não compareceu e enviou um representante.
Na semana passada, o Ministério Público Federal emitiu recomendação a Eliseu Padilha para que a Aviação Civil não faça o repasse, conforme noticia antecipada pelo Blog do Galeno Ribeirão. O problema é a tramitação na Justiça de ações contrárias à ampliação. "O investimento federal, se iniciadas as obras, configuraria inadimissível desperdício de dinheiro público", advertiu o procurador André Menzes. Depois do parecer, o ministro ainda não se pronunciou sobre o caso.
Vereadores presentes no evento, como o presidente da Câmara, Walter Gomes (sem partido) e André Luiz (PCdoB), receberam os dois manifestos entregues na entrada - um deles explicava os problemas da ampliação do aeroporto no endereço atual e o outro cobrava direito de moradia às famílias ameaçadas de remoção das comunidades João Pessoa e Nazaré. "Entreguei para o prefeito de Sertãozinho [Zezinho Gimenez - PSDB] e ele concordou que o local do aeroporto tenha que ser debatido com a região e que, no Leite Lopes, é de fato problemático", dizia, satisfeito, um dos manifestantes.
A prefeita Dárcy Vera escolheu uma entrada alternativa e não passou pelos manifestantes, diferente dos outros convidados e membros da comissão mista que discute os processos da internacionalização. Os manifestantes tentaram participar do evento, mas foram barrados. "Disseram que só os convidados podiam entrarm. Mas ninguém apresentou convites na entrada", lamentou um deles.
Além dos moradores da região, outras personalidades e especialistas contrários à ampliação do Leite Lopes e à reintegração de posse de comunidades próximas estiveram presente, como o padre Chico, da Paróquia Santa Terezinha, o líder comunitário José Augusto e o ex-candidato a prefeito Emilson Roveri, entre outros. Moradores das comunidades João Pessoa e Nazaré protestavam contra o pedido de reintegração de posse pedido pela prefeitura. Mais tarde, juntaram-se a eles uma manifestação de seguranças de carros forte.
A prefeitura apresentou diversos números defendendo a ampliação. Já os moradores do entorno do Leite Lopes argumentaram, por sua vez, que, apesar de serem a favor de um aeroporto internacional na cidade, o lugar não tem estrutura para receber pistas e terminais adequados. Temem também a remoção de bairros e casas. As três ações civis públicas contra as obras foram movidas a partir de denúncias do movimento ao Ministério Público. Os promotores entenderam que as mudanças no aeroporto podem causar prejuízos sócio-ambientais para a cidade. 

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