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sábado, 2 de agosto de 2014

A GÊNESE DO MOVIMENTO PRO NOVO AEROPORTO EM RIBEIRÃO PRETO e o PAPAI NOEL LEITE LOPES

Ribeirão Preto já viveu tempos de grande atividade da sociedade civil na elaboração das políticas públicas da cidade. Foi uma época de grandes iniciativas, com pouco papo furado e muitas ações realmente pró-ativas.

Uma dessas ações foi a elaboração pioneira do seu Plano Diretor onde se delinearam as diretrizes básicas do desenvolvimento do município.

Foram bons tempos, onde a cidadania realmente  estava presente.

Como eram diretrizes gerais todos os setores – político, corporativo e associativo – estavam unanimes na aprovação dessa lei, resultado do consenso das discussões produtivas de todos os envolvidos.

Essa lei do Plano Diretor foi publicada em 1995!

E num de seus artigos[1], constava que o aeroporto deveria ser remanejado para fora do Anel Viário (naquela época, o anel viário era um dos demarcadores da área urbana).

Toda essa glamorosa convivência corporativo-política com a cidadania para garantir a qualidade de vida da cidade constituiu uma lua-de-mel idílica até que os interesses privados se chocaram com os interesses da cidadania, como pode ser observado, ainda nos tempos atuais, nas “brigas” políticas para as sucessivas revisões das Leis do Plano Diretor, em particular as do Uso e Ocupação do Solo.

Um desses “choques culturais” foi o aeroporto da cidade, o Leite Lopes.

Em 1997 o governo norte americano, por intermédio da TDA[2], contratou a Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná[3] (ADTP) para coordenar o estudo sobre a transformação do aeroporto Leite Lopes em internacional.

Esse estudo, elaborado pela empresa norte-americana Wolpert Inc.,  custou à TDA  em torno de US$ 300.000,00,  e foi doado a fundo perdido!

Logo em seguida algumas entidades ligadas ao setor empresarial  que defenderam a remoção do Leite Lopes para local mais adequado, incluindo essa necessidade na lei do Plano Diretor em 1995, tornaram-se defensoras irredutíveis pela sua ampliação, considerando que a localização é ótima e não faz mal a ninguém e o progresso não pode parar!

Nada como um bom negócio para fazer virar a casaca. Alguns chamam isso de pragmatismo.

O projeto da TDA/Wolpert foi dirigido especificamente para a expansão do Leite Lopes e não para a construção de um aeroporto novo, tendo como principal vetor de projeto a redução de custos! Se essa ampliação era interessante para Ribeirão e região, não constava do escopo desse trabalho.

A análise desse projeto  demonstrou o total descompasso com a realidade técnica e das políticas e normas brasileiras para aeroportos e por isso mereceu o repúdio da sociedade civil e de especialistas da área que acionaram o Ministério Público, que passou a intervir no processo.

Mas algumas coisas ficaram marcadas pela sua singularidade:

Uma das características da tal TDA consiste em que financia, a fundo perdido, estudos que gerem renda e emprego para os cidadãos norte-americanos e que garantam a participação de empresas norte americanas no empreendimento.

Uma afirmação nesse estudo está em que “certas alternativas são proibidas por lei mas, no Brasil, as leis são muito flexíveis”. E parece que não exageraram porque se era exigido por lei a remoção do Leite Lopes, aceitar a sua ampliação foi flexibilizar (e muito) a legislação em vigor na época.

Ficou estranho que alguns agentes da sociedade civil que apoiaram a relocação do Leite Lopes em 1995, apenas dois anos depois, tenham mudado de opinião.

Poderiam, pelo menos, ter sugerido construir um aeroporto novo, nem que fosse para fingir que eram partidários de estudos sérios.

Outro fato interessante é que o Relatório estimava em US$ 20.000.000,00 o custo total da ampliação  e que esse valor era tão pequeno que seria difícil de obter financiamento internacional....

A proposta do projeto da TDA/Wolpert foi  analisada e amplamente discutida no COMUR[4], por iniciativa de sua Ouvidoria, que elaborou um Relatório demonstrando a inviabilidade da ampliação e sugerindo uma coisa simples: a construção de um aeroporto novo, conforme determinava a legislação municipal.

Desde o anúncio de que o Leite Lopes seria ampliado – os interesses corporativos nem cogitavam a hipótese contrária e muito menos a da construção de um novo aeroporto – a mídia cantava em versos e prosa as vantagens desse empreendimento e o governo municipal deu todo  o apoio ao empreendimento e a própria Câmara Municipal passou a analisar o projeto, criando uma Comissão Especial de Estudos (CEE).

A parceria entre o Executivo e o Legislativo para justificar a viabilidade política do empreendimento alcança níveis histriônicos inimagináveis que ficaram registrados nas atas da CEE[5] (grifos nossos):

[...] oitiva do senhor Dr [...] às 14:30 horas teve inicio a reunião. O presidente [da CEE] teceu comentários iniciais sobre a intenção da Comissão, que é imparcial sobre o assunto, somente a finalidade dela é embasar-se no depoimento de pessoas interessadas  e conhecedoras que auxiliarão na formação de um juízo do melhor que possa ser para a população.

[...]perguntado se o depoente tem conhecimento  de outras cidades dentro do país ou até mesmo fora de aeroportos que fiquem dentro da cidade , disse que são inúmeros aeroportos nessa situação. E que não considera o aeroporto como dentro da cidade.”

Se o Leite Lopes não está dentro da cidade, onde será que está?

E o nobre vereador, presidente da CEE, parece concordar com o depoimento, já que não fez essa pergunta ao depoente, convidado que foi por ser pessoa conhecedora[6]!

Todas as ações foram promovidas tendo como objetivo consolidar a inevitabilidade da ampliação e teve a adesão quase unanime das mídias locais.

A sociedade civil, reunindo as verdadeiras forças vivas da cidade, recusou-se em aceitar a ampliação do Leite Lopes  sem o aval de estudos sérios não só de engenharia de aeroportos mas que também fossem levados em conta  estudos socioambientais e econômicos e que a alternativa novo aeroporto  também fosse considerada, não tendo como única justificativa que a ampliação seria  a condição de menor custo, ou seja, a “mais baratinha”.

Ribeirão Preto é uma cidade que merece respeito e não pode ficar â mercê de interesses exclusivamente econômicos e interessantes apenas para alguns setores muito específicos.

A cidade não aceitava que o aeroporto Leite Lopes se tornasse um novo Congonhas, ou seja, um aeroporto meia boca. Por isso tinha que se insurgir!

Nascia, agora, de forma organizada, o Movimento Pro Novo Aeroporto tendo reunindo diversas entidades tais como a Associação Ecológica e  Cultural Pau Brasil, a Associação Humanística de Ribeirão Preto, a Associação de Moradores  do Jardim Aeroporto, a Associação de Moradores da Vila Hípica, entre muitas outras, além de personalidades diversas.

Para fazer face a esse Movimento, além da manipulação da informação publica pela mídia, o poder político cooptado pelo poder econômico passaram a tentar cooptar diretorias de Associações de Moradores através do que chamaram de Agenda Positiva, que de positiva não tinha nada e que o Movimento Pro Novo Aeroporto denominava de Papai Noel Leite Lopes.

Vamos ver alguns exemplos:

Na reunião da Agenda Positiva de 12/06/1999 foi dado como que um ultimato a todos os representantes das comunidades atingidas pelo empreendimento, tentando enganá-los com a sua inevitabilidade:


E qual seria essa Agenda Positiva e quem poderia participar dela? Na reunião do dia 01/12/1999 tudo começa a ficar mais claro:


Passa a ficar claro que a Associação de Moradores  que fosse contra o empreendimento ficaria de fora das discussões da Agenda, numa demonstração clara que não se admitiriam opiniões contrárias às político-administrativas do poder público municipal e estadual, coligados para a privatização do patrimônio público enfatizado como já decidido e por isso irreversível, ou como afirmado no dia 12/06/99 essa decisão não dependeria de posicionamentos de populares ou entidades civis.

Um exemplo de como as coisas em Ribeirão Preto acontecem na “democracia da república dos canaviais”, eliminando-se da discussão os elementos contrários à vontade dominante dos negócios.

Também admitem que só serão considerados no Edital os compromissos assumidos perante os membros da Agenda Positiva que forem aceites pela Comissão de Licitação! Isto é, se a Comissão de Licitação não concordar com nada, a tal Agenda Positiva terá sido inútil.

Daí nasceu o termo “Papai Noel Leite Lopes”. Os moradores do entorno do Leite Lopes são pobres, de baixa escolaridade mas não são fáceis de engabelar.

Tentaram ainda jogar com a ganância das pessoas presentes afirmando que vai haver uma valorização imobiliária por causa do empreendimento. É a mesma técnica usada no golpe do bilhete premiado.

E a maior de todas: será criada uma Escola Profissionalizante para oferecer cursos para a comunidade do complexo aeroporto, com cursos preferencialmente  de profissões típicas de aeroportos!  E quais seriam esses cursos?

E prosseguem nessas promessas de Papai Noel, conforme definido na reunião  do dia 09/05/2000 onde é reiterada a implantação de cursos profissionalizantes com a condição adicional de que serão preferenciais e ou exclusivos para os moradores locais:

Questionando as afirmações do Papai Noel Leite Lopes se esses cursos podem ser exclusivos para os moradores locais, a resposta é evasiva: não sabe mas o que importa é que é uma justa medida...

Como resultado final de todas estas Agenda Positivas do Papai Noel Leite Lopes, o Movimento Pro Novo Aeroporto, através de diversas associações de moradores, tomou a iniciativa de levar ao conhecimento do Ministério Público dos fatos ocorridos:


O Grito de Liberdade da Periferia contra a ampliação do aeroporto e seus malefícios foi realizado e incluiu o evento de plantio de árvores. A mídia convidada não apareceu.

Era a confirmação da proibição à mídia de noticiar as atividades do Movimento Pro Novo Aeroporto.

Chegamos ao final do primeiro capitulo da novela A Ampliação do Leite Lopes.

A ênfase dada para a tal inevitabilidade e irreversibilidade da ampliação não se concretizou.

Até hoje, passados mais de 14 anos. O que significa que o projeto de ampliação do Leite Lopes em lugar de construção de um novo aeroporto é absolutamente inconsistente.

E nesse tempo já teria sido possível ter construído um novo aeroporto, que já estaria em operação.

Um Movimento Popular, sem nenhum apoio da mídia local mas através de ações consistentes tem conseguido barrar um empreendimento que insiste em se instalar no Leite Lopes quando poderia muito bem ser implantado num aeroporto a sério, em local adequado, com qualidade para os seus passageiros e cargas e com a capacidade de ampliações futuras de forma a atender às necessidades do desenvolvimento regional, dando-se outra destinação, também aeronáutica e aviônica, ao Leite Lopes.

Aeroporto novo, em local adequado, dentro dos padrões que o atual momento de demanda pelo modal aeronáutico exige,  sem causar danos sócio ambientais nem o caos urbanístico que as obras previstas para essa ampliação causariam a Ribeirão Preto.

A Saga do Leite Lopes e do Novo Aeroporto ainda não acabou. Voltou ao judiciário.  Por isso o Movimento Pro Novo Aeroporto continua atuante porque é composto por todos os segmentos lúcidos da sociedade, porque é um movimento que teve a sua origem em reivindicações genuinamente populares.

Podem vir com as Agendas Positivas Papai Noel Leite Lopes  que quiserem porque o Povo esclarecido jamais será iludido, nem mesmo com a manipulação da opinião pública.



[1] Lei Complementar 501/95 art. 29 item X: prever área para nova localização do aeroporto, externamente ao Anel Viário, visando menor interferência na área urbanizada
[2]  TDA Trade and Development Agency (Agência de Negócios e Desenvolvimento)
[3] Depoimento do Secretário de Planejamento  à CEE da Câmara Municipal a fls. 10
[4] COMUR Conselho Municipal de Urbanismo
[5] Ata do dia 12/08/97 fls. 9 e 11
[6] O depoente era o Secretário de Planejamento 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

VOCÊ SABIA?


José de Oliveira Reis, um precursor de um aeroporto decente para Ribeirão Preto

Ribeirão Preto sempre foi uma incubadora de pensamentos inovadores, nas mais diversas áreas. Infelizmente, como sempre acontece, a politiqueira típica dos canaviais e dos cafezais, de baixo padrão intelectual, impede que Ribeirão Preto possa realmente crescer, gerando para a sua população qualidade de vida, porque apenas age no sentido de gerar lucro para o especulador e, dessa forma, as cidade não progride mas apenas incha, gerando todos os malefícios que já conhecemos para a cidade: um transito que não anda, a falta de um sistema de transporte público adequado (e aqui se incluem rodoviárias e aeroportos), uma baixa qualidade sócio-ambiental, entre muitos outros.

Um certo senhor, engenheiro, de seu nome José de Oliveira Reis organizou para Ribeirão Preto o seu primeiro Plano Diretor, numa época em que tal iniciativa nem mesmo se cogitava nas Academias e muito menos nas Políticas Públicas.

Em 1945 Ribeirão Preto beirava os 50.000 habitantes. Esse Engenheiro planejou o desenvolvimento da cidade para uma população de 400.000 habitantes, que só foi alcançada na década de 90, quase 50 anos depois.

O projeto foi encaminhado ao prefeito que agradeceu bastante e guardou todo o projeto numa gaveta. Esse projeto só foi desengavetado em 1999 por dois arquitetos  - OZÓRIO CALIL Jr. e  LUIZ FERRARINI Jr. – que o resgataram e divulgaram num artigo “Plano Diretor  de 1945 elaborado para Ribeirão Preto – Proposta do Engenheiro José de Oliveira Reis”.

Certamente se as diretrizes desse projeto tivessem sido aplicadas, Ribeirão Preto seria uma cidade muito melhor, seria uma cidade saudável e muito agradável, mas com pouca especulação imobiliária, já que as beiradas dos córregos não seriam loteadas, os rios estariam na sua conformação original e as enchentes estariam naturalmente confinadas nos seus leitos de inundação e não dentro das casas das pessoas.

Em particular, vejamos no extrato do artigo publicado na revista Painel de Outubro de 2011, a sua proposta de aumento da área do aeródromo existente na época, para permitir as ampliações que fossem necessárias, com o redimensionamento da infraestrutura para permitir a operação de aeronaves de maior porte.

Quais eram as aeronaves mais potentes da época? Quais são as aeronaves potentes que operam hoje? Certamente que na época seria inconcebível imaginar as aeronaves que hoje em dia operam. Mas na sua visão o aeródromo não servia nem para as aeronaves potentes da época, porque ele imaginava Ribeirão Preto como sede de uma futura região metropolitana.

Hoje em dia, sabendo-se que Ribeirão é, efetivamente, uma cidade sede de uma região metropolitana, em lugar de se lutar por um aeroporto decente, onde as aeronaves realmente potentes possam operar a plena carga, sem riscos, num aeroporto moderno, digno para representar a porta de entrada de uma região importante, a nova geração dessa mesma elite da politicagem e do negócio entre amigos, continua insistindo na ampliação de um aeroporto que, em 1945, já era considerado obsoleto e que em 1995 a cidade exigiu que fosse relocado para área mais adequada.

Estamos em 2012 e a situação não mudou. As pretensas elites locais também não mudaram e continuam preservando, com unhas e dentes, a sua visão medíocre de futuro.

Ribeirão Preto é uma cidade incubadora de pensamentos inovadores mas as suas auto-proclamadas  elites  impedem que possam ser implantadas se não atenderem aos seus interesses econômicos imediatistas.

Agora, este ano, podemos começar a mudar tudo isso.  Vamos jogar para escanteio essas pretensas elites, que continuam apresentando os mesmos candidatos de sempre. Não importa qual deles ganhe as eleições, porque qualquer um deles vai representar o mesmo retrocesso.

Para evitar que isso ocorra,

Em 2012 não vote em político de 3ª linha: vote em estadista



Congonhas em Ribeirão Não!
O Leite Lopes fica como está.
Novo aeroporto em nova área já!


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

O Movimento Responde:

RESPOSTA A UM LEITOR DE JUNDIAÍ

Um leitor de Jundiaí nos enviou a seguinte pergunta na parte comentários de matéria veiculada no blog sobre o barulho do aeroporto de Jundiaí:

Em Jundiaí continuamos incomodados com o barulho dos aviões que pousam e aterrizam 24 HORAS POR DIA!!! É um absurdo!!! Como resolver esta situação???


Como se vê e principalmente se sente por vibração e audição, a maior parte dos aeroportos existentes e em particular os administrados pelo DAESP, estão muito mal localizados, não levando em conta a obrigação de se garantir às comunidades do seu entorno a qualidade de vida ambiental que a Constituição garante.

Não conhecemos a história da dinâmica urbana entre o aeroporto – provavelmente um campinho de aviação – e a ocupação territorial do seu entorno.

Por uma questão de analogia com Congonhas, Cumbica e o Leite Lopes, o aeroporto de Jundiaí deve ter crescido já dentro de uma urbanização já consolidada. Por analogia com os aeroportos citados, também deveria ter sido construído em local mais adequado e deixado o campinho de aviação do jeitinho que estava.

Ou então, se fosse possível imaginar o poder publico com a capacidade de ter uma visão de futuro, que desde o inicio desse campinho, tivesse adquirido uma área compatível com um futuro aeroporto e definido legislação urbana que definisse qual o tipo de ocupação poderia ter sido permitida.

Não fez isso, por várias razões. Uma delas, o estado prefere deixar as coisas correr à balda e depois, através de desapropriações nunca pagas ou muito mal pagas, aumentar a área patrimonial do sitio.

Como são áreas ao lado de aeródromos, sempre nas periferias da cidade (nas décadas de 50, hoje dentro da área urbana), foram ocupadas por comunidades pobres, sem dinheiro para pagar a advogados para defenderem os seus direitos, é claro, se soubessem que tinham direitos a serem defendidos.

O poder público contrata  estudos para justificarem essas expansões onde  “demonstram cientificamente” que não causam mal nenhum às comunidades e, muito pelo contrário, até “promovem”, o desenvolvimento local.

A fim de obterem o apoio do restante da população da cidade, alegam que o erro cometido foi por culpa desta população local que se estabeleceu irregularmente no zoneamento de ruídos.

Usando a tática da manipulação da opinião pública e desvirtuando  a realidade, muitas vezes com o apoio da mídia,  alegam que a  construção de novos aeroportos alternativamente às expansões não é a solução, pois o problema da ocupação irregular do entorno se repetiria pois a população pobre novamente se estabeleceria irregularmente próxima ao novo aeroporto.

“Esquecem-se” de informar que essas construções foram feitas dentro da legislação municipal, com projetos aprovados, com habite-se.

Exatamente a mesma coisa que ocorreu com o Leite Lopes. Eles tentaram mas foram mal sucedidos, porque aqui existe uma sociedade civil forte baseada na mobilização popular que juntamente com o Ministério Público e o Judiciário acabaram com a Farra do Boi Aeroportuário. No caso, o boi da farra seria a comunidade do entorno, com direito a ser maltratada de forma permanente e exposta a risco aeroportuário enquanto os interesses econômicos diretamente ligados a essas ampliações recebem os seus lucros, certas elites locais ficam com algumas migalhas desse bolo para poderem defender esses interesses e o poder publico gasta o seu dinheiro (que é o nosso) para que esses empreendimentos sejam lucrativos e atrativos para o empresariado ligado a esse setor.

O que fazer então em Jundiaí?

O básico. Em primeiro lugar reunir as associações de bairro e outras  entidades da sociedade civil no entorno de uma política de preservação da qualidade de vida das comunidades do entorno do aeroporto.

Estudar quais os diplomas legais que permitiram essas ampliações, já que provavelmente essas ampliações – mesmo que apenas na potencia das aeronaves -  não seguiram as exigências legais de um Estudo Prévio de Impacto Ambiental, o tal de EIA-RIMA, de modo a fundamentar novos estudos, sérios e técnica e cientificamente baseados, que identifiquem todas as mazelas urbanas, sócio-ambientais, de segurança aeronáutica e outras e que comprovem que a estrutura do aeroporto funciona adequadamente dentro das exigências legais, preservando-se a incolumidade pública.

A palavra chave é, sem dúvida, a capacidade de mobilização popular e, se conseguir o apoio da imprensa e da classe política a solução é mais fácil.

Uma primeira etapa, seria mobilizar o Judiciário através do Ministério Público e exigir um estudo de ruído, que deverá estar dentro da norma de ruído em área urbana e providenciar o fechamento do aeroporto em horário noturno.

Jundiaí tem mais sorte que Ribeirão Preto: não tem SLLQC *!

Outro ponto importante é a organização local que vise a um aeroporto que preserve  a qualidade de vida da população; a organização regional, junto com outros Movimento tais como o Pro Novo Aeroporto de Ribeirão e o de Congonhas e o de Cumbica; e finalmente a organização de um Movimento Nacional Pro Aeroportos Seguros.

Ribeirão Preto está solidário com Jundiaí e esperamos que consigam vencer mais essa falta de responsabilidade de nossas autoridades aeronáuticas que permitiram que a situação chegasse ao ponto que chegou.

Como o apoio político é importante, outro ponto a ser levado em conta também para Jundiaí está em aproveitar as eleições do ano que vem, começando desde já a questionar os futuros candidatos a esse respeito. Por isso,

Povo esclarecido jamais será iludido

E por isso

Em 2012 não vote em político de 3ª linha: vote em estadista


·        SLLQC É o grupo de pessoas e de entidades que insistem em não deixar construir um aeroporto novo para Ribeirão Preto e que entendem que Só o Leite Lopes a Qualquer Custo lhes serve.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

7 DE SETEMBRO em RIBEIRÃO PRETO


Sete de Setembro de 1822: data em que as oligarquias canavieiras e escravocratas instaladas no Brasil se libertaram das oligarquias da metrópole colonial.

Oficialmente o povo que habitava este território deixou de ser colono a serviço de uma metrópole e passou a ser cidadão.

Na verdade, desde essa data até hoje o Povo Brasileiro segue em busca de sua cidadania, sempre negada e impedida  por oligarquias locais, à época da Independência composta por um sistema de coronelismo físico que detinha o domínio político, hoje substituído por um outro tipo de coronelismo, que detém o poder   econômico e que domina o setor político, que é muito ativo mas servil a seus senhores.

Em Ribeirão Preto essa busca de cidadania é mais dramática, porque a mira pelo lucro maximizado pelos setores econômicos não tem escrúpulos em passar por cima, qual trator demolidor das favelas, dos direitos básicos do cidadão. Temos inúmeros exemplos. Vamos nos ater apenas ao Leite Lopes.

Eles querem, a qualquer custo, ampliar o Leite Lopes para poder colocar em operação um terminal de cargas concedido a uma empresa transportadora chamada Tead Terminais Aduaneiros do Brasil.

Analisemos a noticia publicada no Jornal A Cidade do dia 06/01/2011:

O diretor da Tead Brasil Rubel Thomas anunciou nesta quarta-feira que está deixando o projeto de internacionalização do aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto. Thomas era acionista minoritário da empresa, mas era responsável pelo desenvolvimento do projeto de exploração do terminal alfandegário de cargas desde que a empresa venceu a licitação do governo do estado, em 2003.
Thomaz sempre esteve à frente de negociações que envolviam a implantação do terminal internacional de cargas e era considerado o responsável por toda a logística da parte aérea do aeroporto, uma vez que tinha larga experiência no setor.
O ex-presidente da Varig trabalhou em várias outras companhias aéreas.
[....]                                                     
O presidente da Tead Brasil, Carlos Ernesto de Campos, garante que a saída de Rubel Thomas não altera o andamento do projeto.

Precisamos lembrar que a Varig foi uma grande empresa aérea que de repente faliu e deixou todos os seus funcionários à míngua?

Quando foi feita a Audiência Pública em 2007, o representante da TEAD Brasil entre outras coisas, referindo-se a que o senhor Promotor permitiu, nos autos, que o terminal fosse construído, queria dizer que “terminal alfandegado sem pista não existe (sic)”. Sábia afirmação. Seria necessário explicar como se faz uma licitação para a concessão de um terminal alfandegado internacional para um aeroporto que, à época, não era licenciado para isso e que não tinha pista suficiente. Esquisito, não é?

E afirmou com a maior tranquilidade que “existe um problema social” e que todos os problemas se resolvem com a “remoção desse pessoal” para permitir a ampliação da pista.  É só isso. Para garantir os negócios basta remover as famílias que atrapalham.

Que famílias são essas? Quantas são?


A construção de um terminal alfandegado de cargas no Aeroporto Leite Lopes integra o projeto de internacionalização do terminal de Ribeirão Preto proposto pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp). Além do terminal, que seria construído e administrado pela Tead, o projeto prevê a extensão da pista, hoje com 2.100 metros, para até 3.000 metros. Essa obra, que demandaria a desapropriação de aproximadamente 1.800 famílias, seria custeada pelo Daesp

Segundo eles, “apenas” 1800 famílias. Quem pagaria para que essa empresa pudesse fazer os seus negócios? O DAESP, ou seja, o nosso suadinho dinheiro publico, para proteger lucros  privados e com a remoção de “apenas”  1800 famílias.

E quais seriam esses negócios:

No mesmo acesso, temos a explicação:

Em entrevista publicada ontem pelo jornal O Globo, o então presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, acusou Denise Abreu, diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), de tentar favorecer o projeto de internacionalização do Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto.
De acordo com as palavras do brigadeiro, Denise Abreu “quer tirar da Infraero o controle do setor de cargas de Congonhas e Viracopos para levar para o aeroporto de Ribeirão Preto, que pertence ao governo de São Paulo.” Os motivos que justificariam o suposto lobby de Denise junto à Anac, segundo ele, seriam ligações entre ela e a Tead Terminais Aduaneiros do Brasil, empresa vencedora da concorrência aberta pelo Governo Estadual para a construção, no Leite Lopes, de um terminal alfandegado de cargas. “O terminal de cargas nesse aeroporto já é dominado pelos amigos dela, pelo empresário Carlos Ernesto Campos [da Tead]. Toda reunião do conselho da Anac ela fala isso, com o argumento de que é para desafogar Congonhas e Viracopos. Isso é um negócio que movimenta R$ 400 milhões por ano.

O interesse pelo tal desenvolvimento e progresso de Ribeirão é apenas de lucro de um grupo de amigos: 400 milhões de Reais por ano. Mas temos alguma outra coisa escondida em todo esse imbróglio: o tal Terminal fantástico dos TEAD justificado para desafogar Congonhas e Viracopos é de 5.000 m² e o total de área só dos terminais de Viracopos é de 81.000 m², “apenas” 16 vezes maior. É claro, que esse terminal nem faria cócegas para Viracopos. Qual o interesse então? Sabendo-se que os terminais de Viracopos e de Congonhas são administrados pelo governo federal e o pretendido no Leite Lopes seria privado, que tipos de cargas poderiam passar por um terminal privado que não passariam por um terminal público e que representassem um volume mínimo de alto valor agregado, para valer tanto esforço?

400 milhões de Reais por ano. Daria para construir 2 Leite Lopes com pista de 4000 metros. São muitos interesses sobre essa ampliação e na recusa sistemática na construção de um aeroporto novo. Porquê?
              
Talvez porque um aeroporto novo signifique nova licitação com mais concorrentes do que a feita pelo DAESP em 2003, onde só existia um concorrente a um terminal alfandegado num aeroporto não internacional e com pista curta. Na condição de um aeroporto novo, digno e adequado para atender as interesses de Ribeirão e região, os amigos do rei correriam o risco de perder essa boquinha, no caso de uma nova licitação.

400 milhões de Reais por ano. Para garantir o apoio dos lacaios locais, deixam-se algumas migalhas. E monta-se todo o esquema de apoio logístico e mediático para garantir a implantação dos negócios para os verdadeiros interessados que nem sabem direito onde fica Ribeirão Preto.

Se isso implica em danos para a cidade, expulsão de 1800 famílias em nada lhes interessa. É o colonialismo econômico com o apoio dos políticos locais e de alguns setores empresariais passando por cima da cidadania.

Ribeirão Preto ainda não saiu do colonialismo. Colonialismo este que apenas é possível de ocorrer com a colaboração dos grupos locais que se contentam em chafurdar nas sobras do banquete dos altos negócios e das eventuais negociatas que estão por trás de tudo isso. Precisamos garantir o 7 de Setembro em Ribeirão Preto.

Só temos um meio de resolver isso. Chama-se mais consciência no voto em 2012. Vamos retirar esses colaboracionistas do poder político. Vamos começar a exercer a cidadania. Nos últimos tempos, vários já foram jogados para escanteio mas ainda sobram muitos outros.

Povo esclarecido jamais será iludido

2012: não vote em político de 3ª linha: vote em estadista.

E, como sempre
Congonhas em Ribeirão Não!
Novo aeroporto em nova área já!





sábado, 11 de junho de 2011

RESENHA HISTORICA DO MOVIMENTO – eleições 2000

De vez em quando faremos uma pequena retrospectiva das atividades do Movimento ao longo de todos estes anos.

Na campanha  para as eleições de 2000 o Movimento, através da Associação dos Moradores do Jardim Aeroporto, organizou um debate com os candidatos.

É evidente que apenas alguns compareceram e assinaram o documento de apoio. Mas o encontro e o debate foram realizados. Em anexo (e no blog) cópia dos compromissos assinados pelos candidatos Francisco Noronha de Oliveira, Dacio Leandro Eduardo Campos e José Avelino Franco do Amaral.

Como está patente, o Movimento pro Novo Aeroporto não nasceu de  interesses espúrios mas é o fruto de uma luta popular de mais de uma década.

E tem sido um Movimento vencedor porque tem conseguido impedir que Ribeirão Preto seja prejudicado para que alguns grupelhos econômicos lucrem no curto prazo, deixando como herança apenas os despojos de um aeroporto inadequado, com sérias restrições e inviável para o médio e longo prazo.

Ribeirão Preto não pode ter o seu progresso  e a qualidade de vida de sua população prejudicados para atender a interesses econômicos espúrios, apoiados por políticos irresponsáveis.







domingo, 29 de maio de 2011

RESENHA HISTORICA 2007: CONGONHAS EM RIBEIRÃO, NÃO

Campanhas de Rua
Recentemente fizemos um relato das atividades atuais do Movimento e um pequeno resumo das da época do EIA-RIMA. Neste, apenas para recordação desses tempos e do boicote que a imprensa sempre fez ao Movimento, vamos apresentar alguns documentos da época.
Organizamos uma mobilização na praça XV (24/03/2007), praticamente ao lado de quase todos os jornais impressos da cidade. Nenhum se aproximou para sabe do que se tratava. Mas foi feita um  corpo a corpo do qual saiu um abaixo assinado e a conscientização de muitas pessoas que ficaram revoltadas com a campanha da imprensa, da prefeitura e demais entidades que apoiavam a ampliação do Leite Lopes.
No dia 1º de Maio de 2007 foi organizada uma passeata no Leite Lopes, saindo da Av. Recife e prosseguindo  pela Av.  Albert Whatelly. Foram mais de 300 pessoas. Nenhum jornal ou TV fez a cobertura. Para forçar a imprensa a registrara o fato, foi invadido o terminal de passageiros. Por isso, apenas o helicóptero da PM apareceu. Quase no final da manifestação apareceu a TV Record que registrou o fato.
Panfletagem para convocação da passeata




Manifestação na Av. Albert Whately


Importante ressaltar que a manifestação foi precedida de intensa mobilização e panfletagem e todos os órgãos da imprensa foram informados. Não podem alegar que foi por desconhecimento. Não foram para cumprir a sua obrigação de manter o boicote. Quem lhes conferiu essa obrigação é que preferimos dizer que não  sabemos. Quem será que foi?

Campanha na praça XV


Também foi feita uma panfletagem na Av. 9 de Julho na esquina com a Av. Presidente Vargas, que depois se deslocou  bem na frente da TV Clube.  Foi bem na frente mas ninguém foi fazer a cobertura jornalística.  O único jornal que fez a cobertura foi o Gazeta de Ribeirão (10/07/2007)


Nesse meio tempo ocorreram algumas tentativas de intimidação aos lideres do Movimento: