sábado, 20 de abril de 2013

O Movimento Responde

Caro Marcelo,

É sempre um prazer poder debater o problema aeroporto de Ribeirão Preto. Desculpe pela demora na resposta mas problemas de cunho administrativo não a permitiram em tempo hábil, como é de nosso hábito.

Permita-nos responder no seu próprio texto, com fonte e cor diferentes para permitir uma melhor visualização.

kkkkkkkkkkkk, e vcs acreditaram que a pista de AAQ terá 4000 metros ???? Vcs são muito inocentes !!!! A única de 4000 metros do Brasil fica no Galeão e pergunta prá Infraero quanto custa mantê-la. Fazer uma pista igual em AAQ com o movimento quase zero desse aeroporto, duvido que alguém se disponha a investir nisso. Se o Governo fizer, aí sim está se jogando dinheiro de impostos fora.

Não afirmamos, nem a noticia transcrita se referiu, que no aeroporto de Araraquara vai ser construída uma pista com 4.000 metros mas sim que a prefeitura vai adquirir área, hoje disponível, para no futuro ser possível construir essa pista sem causar danos sócio- ambientais nem urbanísticos ou de qualquer outra natureza. O objetivo do Movimento Novo Aeroporto em divulgar essa noticia foi o de demonstrar que ainda é possível encontrarmos políticos com visão de estadista, capazes de enxergar algo mais distante no tempo do que apenas o seu mandato.

Ribeirão Preto fez isso em 1995 quando exigiu, pela Lei do Plano Diretor, que o aeroporto fosse transferido para outra área, adequada e fora da área urbana, com uma configuração moderna e capaz de absorver as futuras ampliações, possíveis e prováveis, que garantissem a infraestrutura aeroportuária com capacidade de dar o suporte necessário para o desenvolvimento regional inevitável de ocorrer  numa região em franco crescimento econômico.

Infelizmente, os nossos políticos locais demonstraram a total falta de capacidade  estadista de analisar o futuro além dos seus pobres quatro anos de mandato. Por isso a insistência na ampliação do Leite Lopes, entre outros motivos o de reles marketing político, em lugar de exigir a construção de um novo aeroporto.

Quanto à pista do Galeão, membros do Movimento trabalharam no projeto e discordam de sua opinião quanto à falta de uso da segunda pista com 4.000 metros, na medida em que se ela não é usada é por falta de aeronaves que a ela aproem, sem duvida por falta de produtos na quantidade necessária para carregar um cargueiro de verdade.

Mas quando isso ocorrer a pista está lá.

E a construção de uma pista de 4000 metros num aeroporto do padrão do Galeão não alterou significativamente o custo final da obra. E temos tido a vantagem de não ter ocorrido nenhuma tragédia como a que ocorreu – já por diversas vezes – no aeroporto de Congonhas, por exemplo.

"Tecnicamente para operarem no Leite Lopes aviões cargueiros de verdade, com carga paga completa, é necessária uma pista com 3300 metros (Boeing 767) ou 3900 metros (Boeing 747) fora as áreas de escape."
Vcs fazem várias considerações a respeito de tamanho de pistas; que precisa-se de tamanho tal para avião tal etc. etc.
Esse comentário acima, reproduzido entre aspas, não é mentira não, mas vcs sempre estão levando em consideração o avião totalmente carregado tanto chegando quanto partindo de RAO para voos diretos e muito distantes.

Não somos nós que falamos isso. Quem afirma é o plano do DAESP para o Leite Lopes, que é repetido em prosa e em verso por certos setores interessados na ampliação e não no novo aeroporto afirmando que ocorrerão 3 vôos diretos Ribeirão-Miami, por semana, usando o B747 e o B767, com carga paga completa, que o próprio estudo do IPT confirmou que não seria possível por falta de pista. E elaboraram o estudo do Plano Especifico de Zoneamento de Ruído (PEZR) para o B757 ou equivalente.

Por essas inverdades serem divulgadas como verdades é que tem convencido certos setores da  comunidade de que vão poder embarcar normalmente para vôos internacionais transcontinentais quando na verdade apenas prevêem vôos de passageiros para alguns poucos destinos do Mercosul.

No vosso entendimento, somente essa condição torna-se viável econômicamente o voo, o que não é verdade.

Se tivermos vôos cargo conforme a propaganda sempre alardeou,  a inviabilidade econômica é óbvia. Para combater essa falsa condição, sugerem  que toda a  produção industrial de Ribeirão será exportada via aérea e via Leite Lopes, o que é uma mentira deslavada.

O que posso dizer é que, na prática, a carga aérea não funciona assim, ao pé da letra, como vcs visualizam. A malha aérea cargueira mundial é muito dinâmica, muda constantemente, e no Brasil, raros são os voos cargueiros de longa distância diretos. Por ex: em GRU existia um voo cargueiro da Varig com destino a Frankfurt; muitas vezes fiz esse voo direto (o avião tinha menos carga prá lá, portanto colocava-se mais combustível para o voo direto), e muitas vezes fiz fazendo escala técnica em Dacar (África) para reabastecimento (estava totalmente carregado de cargas e colocava-se menos combustível). O MD11F pode levar até cerca de 80 toneladas de carga paga, mas se vc carregar totalmente o avião e abastecê-lo totalmente de combustível vc ultrapassa o peso máximo de decolagem da aeronave. É difícil vc ter uma cidade no Brasil para poder encher totalmente uma aeronave de carga e voar diretamente para um destino intercontinental, poucas vezes em GRU conseguimos isso. E RAO não vai ser diferente, podemos até ter voos chegando diretamente do exterior, mas não teremos carga suficiente para lotar o avião e mandá-lo de volta, e nem pista prá isso, porisso a malha aérea prevê que a aeronave chega no Brasil em um aeroporto internacional e depois voa para alguns outros destinos deixando e pegando carga, até que a mesma consiga lotar o avião e voar de volta para seu destino fora do Brasil.
Tudo isso é de nosso conhecimento. A finalidade da pista  internacional cargueira no Leite Lopes não é para fazer a exportação dos produtos industrializados da região para o mundo, como a propaganda insiste em dizer. Serve apenas para atender a  interesses econômicos de uma empresa que vai explorar um Terminal de Cargas. Que esse negócio é interessante para essa empresa é evidente, senão ela não estaria tão interessada em efetivar a construção do Terminal conhecendo a oposição séria à ampliação do Leite Lopes.

Mas o fulcro da questão é outro:  É do interesse de Ribeirão Preto e região a ampliação do Leite Lopes para atender a interesses privados e politicos exclusivos ou devemos partir para a construção de outro aeroporto, moderno, capacitado, com o seu Terminal de Cargas?

Vou dar um exemplo de um voo que fiz deixando e pegando cargas e iniciando em Miami: Miami-New York-Manaus-Foz do Iguaçu (pista de 2100 metros e o avião era o DC-10F)-Campinas e finalmente o Galeão (RJ). Existem "N" rotas cargueiras passando pelo Brasil e RAO simplesmente só irá conectar-se a uma delas, somente isso. Não chegará um avião totalmente carregado de cargas para descarregar tudo em RAO e nem sairá totalmente carregado com cargas embarcadas em RAO. A tonelagem de carga desembarcada e embarcada será muito variável e quando não for viável o carregamento de X toneladas de carga, a mesma fica retida e embarcada no próximo voo, porisso digo que na prática é totalmente diferente da teoria.

Só confirma a nossa tese de que a tal maravilhosa internacionalização do Leite Lopes não vai trazer nenhum beneficio especifico para Ribeirão mas apenas para alguns setores econômicos, porque haverão poucas  cargas de origem local, complementadas por  aquelas eventualmente interceptadas na Via Anhanguera e que iriam para Viracopos ou Guarulhos via terrestre e que irão para esses mesmos destinos, não por aviões cargueiros mas sim de trafego normal para esses aeroportos, porque eles constituem os Hubs do Estado de S. Paulo. 

Só existe o interesse no transporte aérea para cargas com alto valor agregado e que requeiram velocidade na entrega, principalmente  os perecíveis como flores e frutas tropicais. Se for para ficarem estocadas  aguardando que algum cargueiro passe para transportá-las, a demora poderá ser maior do que se for por via marítima ou terrestre ou mesmo aérea mas  em vôos de passageiros.

Teremos sérios danos socioambientais e urbanísticos  no entorno do Leite Lopes sem que isso traga algum tipo de retorno para Ribeirão nem mesmo aos cofres municipais.

 Vcs imaginam que o avião cargueiro chegará em RAO diretamente do exterior e voará à partir de RAO diretamente para o exterior, mas isso não deve acontecer assim, pode até acontecer, mas não será regra. Temos várias empresas cargueiras que vem do exterior, pousam em GRU, CNF, GIG ou VCP e depois voam para Curitiba, Cabo Frio, Vitória (pista de 1750 metros e o avião é o B767F), Porto Alegre, etc. Tem uma que voa de Curitiba (pista de 2215mts) direto prá Quito (Equador) e voa também de VCP para Petrolina (pegar frutas), depois para Recife (pegar mais carga[avião B747F]), e depois Europa (Bélgica). Essa empresa não consegue lotar o avião de frutas em Petrolina, nem porisso eles deixam de pousar lá para pegar essa carga, porisso eles pousam em Recife também porque lá sempre tem um pouco mais de carga para se levar para a Europa, e assim o avião vai enchendo de cargas até deixar o Brasil. Entenderam ????

Não é novidade para nós porque sabemos disso desde o inicio do projeto em 1997 para a internacionalização do Leite Lopes elaborado pela Wolpert Inc.. O problema é que a campanha midiática para manipular  a opinião pública no sentido de apoiar a ampliação do Leite Lopes em lugar de se construir um novo aeroporto afirma exatamente o que está sendo desmentido. Ou seja, estamos do mesmo lado. A propaganda da importância do Leite Lopes como referência internacional é enganosa.

O comentário de vcs não está errado (com respeito a tamanho de pista etc etc), caso fosse previsto voos diretos saindo de RAO para a Europa, México ou EUA, mas na prática isso não deve acontecer assim e funciona diferente. Obrigado
Continuando mais um pouco, aeroporto c/restrições operacionais não será uma exclusividade de RAO, muitos aeroportos possuem restrições operacionais das mais diversas ordens. Em RAO será a pista assim como Vitória, Curitiba, Goiânia (PCN da pista) e muitos outros no Brasil. Fora do Brasil também existem essas restrições, como o México City, La Paz e Bogotá (altitude) e outros nos EUA e Europa. Então o que se faz quando isso existe?? É simples: adapta-se aquilo que se QUER fazer com aquilo que se PODE fazer,

Aqui somos obrigados a discordar. Se existem restrições em outros aeroportos, então existem riscos a serem previstos e que poderão causar acidentes. Se houver redução da capacidade de transporte para atender à capacidade de uso então existe o aumento do custo unitário do frete. Essa tem sido a política errada que tem sido dada ao sistema aeronáutico nacional, sendo um dos seus lupanares exemplos, Congonhas, entre muitos outros.

É a teoria de que vale a pena fazer puxadinhos, remendos e adaptações em lugar de fazer a coisa certa. É o mesmo que querer transformar um  carro popular num carro de luxo. Não vai ter nem um nem outro.

Se podemos fazer a coisa certa em Ribeirão Preto construindo um aeroporto decente, moderno, capacitado a ser ampliado quando necessário,  porque devemos insistir na gambiarra?

porisso disse que na prática funciona diferente da teoria. Não é por causa da pista curta que existe em Vitória que o B767F deixa de pousar lá, designou-se número X de toneladas de carga que pode ser carregada e se faz o voo normalmente, mas não decola prá destinos muito distantes, nesse caso o avião pousa em outro aeroporto e carrega mais cargas antes de ir prá fora do Brasil, e nem porisso o voo deixa de ser economicamente viável. Isso acontecerá com RAO também, teremos dias em que o voo sairá com destino ao Galeão depois Recife depois Europa; ou teremos destino como Manaus depois EUA ou México, ou mesmo destino como GRU ou VCP e depois EZE ou SCL, depende muito da rota e destino da carga.

Normalmente quando se considera que a pratica não funciona conforme a teoria é porque não se conhece muito bem a teoria e então se prefere o improviso. Todos os procedimentos indicados são típicos de uma navegação por cabotagem.  E a busca de cargas/destinos não é feita de improviso. As agências organizam todas essas operações e são efetuados cálculos para que a rentabilidade seja mantida. Uma das formas mais racionais consiste na organização de centros de concentração e de distribuição de cargas e a busca das empresas com disponibilidade de equipamentos para fazer esse tipo de operação. É um processo altamente dinâmico e especializado. 

Posso até compreender que vcs são contra esse empreendimento, mas dizer que é economicamente inviável, isso não. Acho que a luta de vcs é contra o aeroporto naquele lugar mas não dizer que é inviável, nesse caso são vcs que estão tentando acorbertar a verdade. Continuo esse debate pois vejo que tem muita teoria e pouco conhecimento do que se faz na prática. Obrigado.
Postado por Marcelo no blog * Congonhas em Ribeirão Não! * em 18 de março de 2013 02:45

Nós não somos contra nenhum empreendimento mas sim a favor de que  Ribeirão Preto e região disponham de uma estrutura aeroportuária adequada, moderna, eficiente, sem causar danos socioambientais e urbanísticos gravíssimos, sem puxadinhos ou gambiarras, onde possam ser implantados todos os empreendimentos necessários a alavancar o desenvolvimento regional. Essa estrutura não pode ser implantada no Leite Lopes. E este conceito não é “teórico” porque é real e objetivo, com fundamentação técnica.

O que não podemos aceitar é que todo o futuro regional fique sujeito a um projeto inadequado, de forma irreversível, gerando-se um novo Congonhas, apenas para satisfazer os interesses econômicos de um empreendimento privado, associados a uma política ideológica de um Departamento de uma Secretaria de Estado. Sem dúvida que Ribeirão Preto merece mais do que isso.  

Quem deve definir as políticas públicas para Ribeirão são os seus cidadãos e que foram claramente expressas na Lei do Plano Diretor, em 1995, mandando fazer um novo aeroporto

Que o empreendimento é economicamente viável sem dúvida que o é, mas apenas para o empreendedor. Mas não  é interessante para Ribeirão Preto.

Nós não acobertamos a verdade mas sim quem fica anunciado aquilo que não pode ocorrer no Leite Lopes: voos diretos semanais para Miami usando equipamentos cargueiros de grande porte e viagens internacionais de passageiros, tal como a propaganda alardeada recentemente na mídia: de Ribeirão para o mundo!

Com o projeto RAO internacional proposto se o Leite Lopes for ampliado para atender uma licitação com validade de 30 anos, impedirá que Ribeirão Preto possa vir a ter, mesmo no futuro, um aeroporto moderno e eficiente, capaz de atender às demandas de um desenvolvimento econômico saudável.

Em toda a sua exposição não encontramos nenhum argumento que confirme que a construção de um novo aeroporto possa ser prejudicial ao desenvolvimento regional, ou seja, se em lugar de ficarem insistindo na ampliação tivessem sido mais  eficientes e construído um novo aeroporto, este já estaria pronto e operando normalmente. Seria moderno, os passageiros embarcariam usando pontes móveis, sem estarem sujeitos a chuvas e os cadeirantes não precisariam de embarcar  carregados como se fossem embrulhos. E até poderia ser internacional, com Terminal de Cargas e tudo o mais.

Teríamos já em operação um belíssimo Portal de Entrada que dignificaria Ribeirão Preto.

E continuamos defendendo o livre debate, com a exposição clara de ideias e conceitos. Por isso ficamos sempre muito satisfeitos com a sua participação.

O grupo gestor




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