segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Artigo do Professor Jorge de Azevedo Pires

AEROPORTO “LEITE LOPES”: DESCULPEM PELA REDUNDÂNCIA!


Jorge de Azevedo Pires*


Ao assistir o programa “A GRANDE ENTREVISTA” no dia 22/08/2014, vemos o entrevistador, Prof. Antonio Cassoni indagar ao Promotor de Justiça, Dr. Antonio Alberto Machado, como se encontra a questão do Aeroporto Leite Lopes. Estavam presentes também, os arquitetos Sílvio Contar e William Fagiolo.

Com minhas palavras, dentre várias colocações, disse o entrevistado que ninguém é contra um aeroporto internacional de carga para Ribeirão Preto, aliás, há muito tempo ele está com a habilitação formalizada para o transporte de carga.

Simplesmente, o aeroporto que querem, não cabe no espaço disponível, e muito menos se fosse ampliada a pista para 3.000 metros conforme pretensão dos governos municipal e estadual. Inúmeros problemas persistiriam e/ou se agravariam, além do elevado custo.

Em contato com pessoas da aeronáutica, em Brasília, soube-se que o COMAR, filiado ao Ministério da Aeronáutica, nem quer ouvir falar sobre aumento da pista, da qual apenas 1.700 dos 2.100 metros podem ser utilizados, conforme TAC assinado no DAESP há anos - dificilmente aprovariam aumento da pista.

Surgem problemas viários, técnicos e jurídicos a cada momento, sem se falar nos de ordem social e segurança, nas inúmeras e onerosas desapropriações no seu entorno, constituindo numa enorme violência contra os cidadãos, habitantes da região.

Como bem afirmou o Promotor Machado, não podemos ter um aeroporto para só atender ao presente, com prazo de validade!

O Ministério Público e todos querem um aeroporto para passageiros e carga, fora da cidade, definitivo, servindo à cidade e toda região - visão de longo prazo, de estadista, deve ser comprometida com um aeroporto novo, maior, em outro lugar, que não só atenda ao presente, mas ao futuro da cidade e região – que seja digno para Ribeirão Preto!

Façamos como Bauru que construiu seu novo aeroporto a duas dezenas de quilômetros do centro urbano, em grande área, viabilizando futuras ampliações.

O Arq. Sílvio Contart afirma, e indagando diz que independente do que se faça, nesse aeroporto, um novo aeroporto será necessário.

O acima explanado já foi dito e escrito, em várias oportunidades, constituindo, portanto, para muitos, em verdadeira redundância!

Quanto tempo perdido! Há cidades bem acordadas tratando do assunto! Deixemos o atual como está e todos lutemos pelo novo! Acordemos antes que seja tarde demais! Chega de mediocridade!

*Jorge de Azevedo Pires, professor voltado às questões relativas ao bem comum e, autor do livro “Pensando Ribeirão Preto – ontem, hoje e amanhã” – edição do autor - 2011.



Ribeirão Preto, 31/08/2014.


Link da entrevista

sábado, 2 de agosto de 2014

A GÊNESE DO MOVIMENTO PRO NOVO AEROPORTO EM RIBEIRÃO PRETO e o PAPAI NOEL LEITE LOPES

Ribeirão Preto já viveu tempos de grande atividade da sociedade civil na elaboração das políticas públicas da cidade. Foi uma época de grandes iniciativas, com pouco papo furado e muitas ações realmente pró-ativas.

Uma dessas ações foi a elaboração pioneira do seu Plano Diretor onde se delinearam as diretrizes básicas do desenvolvimento do município.

Foram bons tempos, onde a cidadania realmente  estava presente.

Como eram diretrizes gerais todos os setores – político, corporativo e associativo – estavam unanimes na aprovação dessa lei, resultado do consenso das discussões produtivas de todos os envolvidos.

Essa lei do Plano Diretor foi publicada em 1995!

E num de seus artigos[1], constava que o aeroporto deveria ser remanejado para fora do Anel Viário (naquela época, o anel viário era um dos demarcadores da área urbana).

Toda essa glamorosa convivência corporativo-política com a cidadania para garantir a qualidade de vida da cidade constituiu uma lua-de-mel idílica até que os interesses privados se chocaram com os interesses da cidadania, como pode ser observado, ainda nos tempos atuais, nas “brigas” políticas para as sucessivas revisões das Leis do Plano Diretor, em particular as do Uso e Ocupação do Solo.

Um desses “choques culturais” foi o aeroporto da cidade, o Leite Lopes.

Em 1997 o governo norte americano, por intermédio da TDA[2], contratou a Agência de Desenvolvimento Tietê-Paraná[3] (ADTP) para coordenar o estudo sobre a transformação do aeroporto Leite Lopes em internacional.

Esse estudo, elaborado pela empresa norte-americana Wolpert Inc.,  custou à TDA  em torno de US$ 300.000,00,  e foi doado a fundo perdido!

Logo em seguida algumas entidades ligadas ao setor empresarial  que defenderam a remoção do Leite Lopes para local mais adequado, incluindo essa necessidade na lei do Plano Diretor em 1995, tornaram-se defensoras irredutíveis pela sua ampliação, considerando que a localização é ótima e não faz mal a ninguém e o progresso não pode parar!

Nada como um bom negócio para fazer virar a casaca. Alguns chamam isso de pragmatismo.

O projeto da TDA/Wolpert foi dirigido especificamente para a expansão do Leite Lopes e não para a construção de um aeroporto novo, tendo como principal vetor de projeto a redução de custos! Se essa ampliação era interessante para Ribeirão e região, não constava do escopo desse trabalho.

A análise desse projeto  demonstrou o total descompasso com a realidade técnica e das políticas e normas brasileiras para aeroportos e por isso mereceu o repúdio da sociedade civil e de especialistas da área que acionaram o Ministério Público, que passou a intervir no processo.

Mas algumas coisas ficaram marcadas pela sua singularidade:

Uma das características da tal TDA consiste em que financia, a fundo perdido, estudos que gerem renda e emprego para os cidadãos norte-americanos e que garantam a participação de empresas norte americanas no empreendimento.

Uma afirmação nesse estudo está em que “certas alternativas são proibidas por lei mas, no Brasil, as leis são muito flexíveis”. E parece que não exageraram porque se era exigido por lei a remoção do Leite Lopes, aceitar a sua ampliação foi flexibilizar (e muito) a legislação em vigor na época.

Ficou estranho que alguns agentes da sociedade civil que apoiaram a relocação do Leite Lopes em 1995, apenas dois anos depois, tenham mudado de opinião.

Poderiam, pelo menos, ter sugerido construir um aeroporto novo, nem que fosse para fingir que eram partidários de estudos sérios.

Outro fato interessante é que o Relatório estimava em US$ 20.000.000,00 o custo total da ampliação  e que esse valor era tão pequeno que seria difícil de obter financiamento internacional....

A proposta do projeto da TDA/Wolpert foi  analisada e amplamente discutida no COMUR[4], por iniciativa de sua Ouvidoria, que elaborou um Relatório demonstrando a inviabilidade da ampliação e sugerindo uma coisa simples: a construção de um aeroporto novo, conforme determinava a legislação municipal.

Desde o anúncio de que o Leite Lopes seria ampliado – os interesses corporativos nem cogitavam a hipótese contrária e muito menos a da construção de um novo aeroporto – a mídia cantava em versos e prosa as vantagens desse empreendimento e o governo municipal deu todo  o apoio ao empreendimento e a própria Câmara Municipal passou a analisar o projeto, criando uma Comissão Especial de Estudos (CEE).

A parceria entre o Executivo e o Legislativo para justificar a viabilidade política do empreendimento alcança níveis histriônicos inimagináveis que ficaram registrados nas atas da CEE[5] (grifos nossos):

[...] oitiva do senhor Dr [...] às 14:30 horas teve inicio a reunião. O presidente [da CEE] teceu comentários iniciais sobre a intenção da Comissão, que é imparcial sobre o assunto, somente a finalidade dela é embasar-se no depoimento de pessoas interessadas  e conhecedoras que auxiliarão na formação de um juízo do melhor que possa ser para a população.

[...]perguntado se o depoente tem conhecimento  de outras cidades dentro do país ou até mesmo fora de aeroportos que fiquem dentro da cidade , disse que são inúmeros aeroportos nessa situação. E que não considera o aeroporto como dentro da cidade.”

Se o Leite Lopes não está dentro da cidade, onde será que está?

E o nobre vereador, presidente da CEE, parece concordar com o depoimento, já que não fez essa pergunta ao depoente, convidado que foi por ser pessoa conhecedora[6]!

Todas as ações foram promovidas tendo como objetivo consolidar a inevitabilidade da ampliação e teve a adesão quase unanime das mídias locais.

A sociedade civil, reunindo as verdadeiras forças vivas da cidade, recusou-se em aceitar a ampliação do Leite Lopes  sem o aval de estudos sérios não só de engenharia de aeroportos mas que também fossem levados em conta  estudos socioambientais e econômicos e que a alternativa novo aeroporto  também fosse considerada, não tendo como única justificativa que a ampliação seria  a condição de menor custo, ou seja, a “mais baratinha”.

Ribeirão Preto é uma cidade que merece respeito e não pode ficar â mercê de interesses exclusivamente econômicos e interessantes apenas para alguns setores muito específicos.

A cidade não aceitava que o aeroporto Leite Lopes se tornasse um novo Congonhas, ou seja, um aeroporto meia boca. Por isso tinha que se insurgir!

Nascia, agora, de forma organizada, o Movimento Pro Novo Aeroporto tendo reunindo diversas entidades tais como a Associação Ecológica e  Cultural Pau Brasil, a Associação Humanística de Ribeirão Preto, a Associação de Moradores  do Jardim Aeroporto, a Associação de Moradores da Vila Hípica, entre muitas outras, além de personalidades diversas.

Para fazer face a esse Movimento, além da manipulação da informação publica pela mídia, o poder político cooptado pelo poder econômico passaram a tentar cooptar diretorias de Associações de Moradores através do que chamaram de Agenda Positiva, que de positiva não tinha nada e que o Movimento Pro Novo Aeroporto denominava de Papai Noel Leite Lopes.

Vamos ver alguns exemplos:

Na reunião da Agenda Positiva de 12/06/1999 foi dado como que um ultimato a todos os representantes das comunidades atingidas pelo empreendimento, tentando enganá-los com a sua inevitabilidade:


E qual seria essa Agenda Positiva e quem poderia participar dela? Na reunião do dia 01/12/1999 tudo começa a ficar mais claro:


Passa a ficar claro que a Associação de Moradores  que fosse contra o empreendimento ficaria de fora das discussões da Agenda, numa demonstração clara que não se admitiriam opiniões contrárias às político-administrativas do poder público municipal e estadual, coligados para a privatização do patrimônio público enfatizado como já decidido e por isso irreversível, ou como afirmado no dia 12/06/99 essa decisão não dependeria de posicionamentos de populares ou entidades civis.

Um exemplo de como as coisas em Ribeirão Preto acontecem na “democracia da república dos canaviais”, eliminando-se da discussão os elementos contrários à vontade dominante dos negócios.

Também admitem que só serão considerados no Edital os compromissos assumidos perante os membros da Agenda Positiva que forem aceites pela Comissão de Licitação! Isto é, se a Comissão de Licitação não concordar com nada, a tal Agenda Positiva terá sido inútil.

Daí nasceu o termo “Papai Noel Leite Lopes”. Os moradores do entorno do Leite Lopes são pobres, de baixa escolaridade mas não são fáceis de engabelar.

Tentaram ainda jogar com a ganância das pessoas presentes afirmando que vai haver uma valorização imobiliária por causa do empreendimento. É a mesma técnica usada no golpe do bilhete premiado.

E a maior de todas: será criada uma Escola Profissionalizante para oferecer cursos para a comunidade do complexo aeroporto, com cursos preferencialmente  de profissões típicas de aeroportos!  E quais seriam esses cursos?

E prosseguem nessas promessas de Papai Noel, conforme definido na reunião  do dia 09/05/2000 onde é reiterada a implantação de cursos profissionalizantes com a condição adicional de que serão preferenciais e ou exclusivos para os moradores locais:

Questionando as afirmações do Papai Noel Leite Lopes se esses cursos podem ser exclusivos para os moradores locais, a resposta é evasiva: não sabe mas o que importa é que é uma justa medida...

Como resultado final de todas estas Agenda Positivas do Papai Noel Leite Lopes, o Movimento Pro Novo Aeroporto, através de diversas associações de moradores, tomou a iniciativa de levar ao conhecimento do Ministério Público dos fatos ocorridos:


O Grito de Liberdade da Periferia contra a ampliação do aeroporto e seus malefícios foi realizado e incluiu o evento de plantio de árvores. A mídia convidada não apareceu.

Era a confirmação da proibição à mídia de noticiar as atividades do Movimento Pro Novo Aeroporto.

Chegamos ao final do primeiro capitulo da novela A Ampliação do Leite Lopes.

A ênfase dada para a tal inevitabilidade e irreversibilidade da ampliação não se concretizou.

Até hoje, passados mais de 14 anos. O que significa que o projeto de ampliação do Leite Lopes em lugar de construção de um novo aeroporto é absolutamente inconsistente.

E nesse tempo já teria sido possível ter construído um novo aeroporto, que já estaria em operação.

Um Movimento Popular, sem nenhum apoio da mídia local mas através de ações consistentes tem conseguido barrar um empreendimento que insiste em se instalar no Leite Lopes quando poderia muito bem ser implantado num aeroporto a sério, em local adequado, com qualidade para os seus passageiros e cargas e com a capacidade de ampliações futuras de forma a atender às necessidades do desenvolvimento regional, dando-se outra destinação, também aeronáutica e aviônica, ao Leite Lopes.

Aeroporto novo, em local adequado, dentro dos padrões que o atual momento de demanda pelo modal aeronáutico exige,  sem causar danos sócio ambientais nem o caos urbanístico que as obras previstas para essa ampliação causariam a Ribeirão Preto.

A Saga do Leite Lopes e do Novo Aeroporto ainda não acabou. Voltou ao judiciário.  Por isso o Movimento Pro Novo Aeroporto continua atuante porque é composto por todos os segmentos lúcidos da sociedade, porque é um movimento que teve a sua origem em reivindicações genuinamente populares.

Podem vir com as Agendas Positivas Papai Noel Leite Lopes  que quiserem porque o Povo esclarecido jamais será iludido, nem mesmo com a manipulação da opinião pública.



[1] Lei Complementar 501/95 art. 29 item X: prever área para nova localização do aeroporto, externamente ao Anel Viário, visando menor interferência na área urbanizada
[2]  TDA Trade and Development Agency (Agência de Negócios e Desenvolvimento)
[3] Depoimento do Secretário de Planejamento  à CEE da Câmara Municipal a fls. 10
[4] COMUR Conselho Municipal de Urbanismo
[5] Ata do dia 12/08/97 fls. 9 e 11
[6] O depoente era o Secretário de Planejamento 

domingo, 27 de julho de 2014

MÁS NOTICIAS PARA OS SLLQC: Já começou a nossa campanha de conscientização das comunidades do entorno do Leite Lopes

SLLQC É o grupo de pessoas e de entidades que, há mais de 15 anos, insistem em não deixar construir um aeroporto novo para Ribeirão Preto e que entendem que Só o Leite Lopes a Qualquer Custo lhes serve, porque demora 10 anos para construir um novo aeroporto.

As eleições estão começando e nenhuma obra pode ser contratada para a ampliação do Leite Lopes, na ridícula pretensão de querer transformá-lo num aeroporto internacional e de cargas internacionais com uma pistazinha de aeroclube melhorado.

E então, acabadas as eleições começam as obras? Não! Pela simples razão de que não têm nenhum projeto aprovado, embora achem que a aprovação de um Relatório de Regularização Ambiental (RRA) já resolveu o problema.

Ampliação de aeroporto exige um Estudo de Impacto Ambiental porque é exigência de Lei. E essa exigência faz parte do processo judicial em curso.

E depois, mesmo supondo que consigam aprovar essa ampliação com o RRA podem começar as obras? Também não, porque o assunto ampliação está sendo discutido no judiciário.

É, na verdade, uma discussão inútil porque já se passou o tempo suficiente para se construir um aeroporto novo e Ribeirão dispor de 2 aeroportos que deem sustentação ao desenvolvimento regional. Preferem impedir essa nova construção para insistirem na ampliação ao custo de um aeroporto novo e moderno.

É sempre assim. Como não conseguem passar por cima da legislação e para não serem considerados ineficientes, em época eleitoral querem mostrar serviço, chegando na mídia chorando pitangas do lucro que não conseguem ter e sempre afirmando que logo mais as obras de ampliação vão começar. É o que chamamos de aeroporto eleitoreiro.

Os franceses que aqui estiveram durante a copa perceberam logo de cara que essa turma que se acha dona de Ribeirão não passa de um clube de provincianos burgueses. Os azuis estavam certos!

Mas e o que é que o povão pensa a esse respeito? Depois de tantos anos de propaganda via mídia cooptada mais as campanhas das benesses do Papai Noel Leite Lopes[i], o Movimento Pro Novo Aeroporto e o Movimento Pro Cidadania e Moradia foram até ao povo e fizeram uma pesquisa de campo.

Nessa pesquisa foram tomadas as medidas seletivas de que a totalidade (100%) dos entrevistados fosse de moradores do entorno do Leite Lopes e foi realizada em pontos de venda do comercio local nas Av. Recife e Av. João Pessoa.

O resumo da pesquisa e do questionário está descrito abaixo, ressaltando que as respostas foram livres e espontâneas.

Acha que o seu bairro é de uso
Conhece a lei de Uso do Solo em vigor?
Esta nova lei de Uso do Solo pode
residencial
15%
conhece       
5%
prejudicar
75%
industrial
5 %
Não conhece
95%
ajudar
20%
misto
80%


É indiferente
5%
Ampliação do Leite Lopes:
vc é
O aeroporto internacional deve ficar


A favor
30%
Nesta área
40%


contra
50%
Outra área
55%


indiferente
20%
indiferente
5%



Após as respostas de cada entrevistado, era-lhe explicado  a situação real, com o texto da lei de Uso e Ocupação do Solo alterada para beneficiar os interesses ligados à ampliação do Leite Lopes incluindo o mapa onde era verificado se o entrevistado era ou não morador nas zonas afetadas.

Sem se importarem com os moradores do entorno do aeroporto, o poder municipal, a serviço dos interesses dos SLLQC, numa revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo, transformou toda uma região que era de uso misto, (residencial e de pequeno comercio e industria), em uso industrial. Foi uma canetada só, sem perguntar às pessoas que lá moram faz gerações, se isso seria do interesse delas. Um ato imperial embora, digam, legal. E, o pior de tudo, chamaram a tudo isso, de cidade aeroportuária!

Foi um ato impróprio, imoral, de falta de respeito e que retratou a  total indiferença do poder econômico para com a população.

Por isso, indignação foi o sentimento externado pela maioria das pessoas entrevistadas quando entenderam que o tal Leite Lopes Internacional milagreiro era um embuste e apenas serve para atender a interesses econômicos de alguns setores, levando grande prejuízo, material, cultural e de bem estar e cidadania para as populações do entorno.

Foi um grande dia para a conscientização da cidadania da população local, diretamente afetada pela  insensatez desse projeto de ampliar o Leite Lopes em prejuízo sócio ambiental dessas comunidades, em prejuízo da segurança aeroportuária e contrariando o desenvolvimento regional.



O olho no olho com as pessoas, verdadeiro trabalho de formiguinha, sem a interferência da mídia cooptada e sem a propagada enganosa das “otoridades”, produz efeitos salutares na cidadania. Resultado positivo: os entrevistados foram vacinados contra a desinformação e a manipulação da opinião pública e trancamos a Janela de Overton.

Esse trabalho inicial forneceu-nos as bases para a continuação de nossa campanha de conscientização de todo o entorno do aeroporto. Campanha que já está em curso, a pleno vapor e com bom aceite pela população.

Por isso é que

POVO ESCLARECIDO JAMAIS SERÁ ILUDIDO

E então podemos nos dedicar a

Diga Sim à revogação da Lei do Uso do Solo
Diga Não à ampliação do Aeroporto e desvalorização das casas

E para isso não podemos esquecer que nestas eleições de 2014 

Diga Não aos candidatos que “vendem” o Papai Noel Leite Lopes



[i] O nome oficial dessa máquina de propaganda foi o de Agenda Positiva, no ano de 2000. As promessas apresentadas para justificarem as vantagens do Leite Lopes ampliado foram tão infanto-juvenis que os representantes das comunidades abandonaram as reuniões. Aí nasceu o termo Papai Noel Leite Lopes

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Das caravelas aos aviões; dos portos aos aeroportos.

Nos idos de 1500 o desenvolvimento internacional dos países emergentes era ditado pelas caravelas que saíam da Europa em busca de novos mercados. Naquela época, os negócios se restringiam, dentre outras coisas, aos tecidos, às ervas, metais preciosos e tráfico de escravos. E as cidades litorâneas tinham a absoluta preferência negocial, por conta da logística dos portos. Quem não tinha porto, não tinha progresso.

No final dos anos 1800 vieram as ferrovias. Com isso, o progresso começou a se estender às cidades do interior do país. O escoamento da produção agrícola, commodities e industrial começa a chegar aos portos. Quem não tinha estrada de ferro, não tinha progresso.

Em 1906 veio o avião e com ele o consequente encurtamento das distâncias. A redução do tempo. Os aviões cresceram e com eles vêm a tecnologia e o acesso a regiões mais distantes. Os aviões passaram por cima da estrada de ferro e dos portos. Tudo uma questão de logística. Engoliram a seda e as ervas. Mas os aviões precisam também de portos, ou melhor, de aeroportos. Precisam de estações, ou melhor, de terminais de passageiros e cargas. Tudo uma questão de logística. A cidade que tem arremedo de aeroporto e não tem aeroporto fica atrás do tempo. A cidade visionária que constrói o seu, assume a liderança e atropela a inércia.

Infelizmente, algumas lideranças não percebem o que os técnicos e grandes empreendedores veem. Ficam disputando ou enfeitando um local minguado, reflexo talvez da mediocridade ou do imediatismo de seus sonhos. O desenvolvimento e o empreendedor “farejam” os grandes gestores públicos e privados, pois sabem que eles lhes darão suporte necessário para o escoamento da produção com crescimento real, sustentável e perene.

Quem não tem aeroporto, não tem futuro.

*Márcio Santiago de Oliveira
Secretário Executivo do Conselho Estadual de Turismo do Estado de São Paulo
Presidente do Ribeirão Preto e Região Convention & Visitors Bureau

Presidente da Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

OS SLLQC ESTÃO TRISTINHOS E INCONFORMADOS

SLLQC É o grupo de pessoas e de entidades que, há mais de 15 anos, insistem em não deixar construir um aeroporto novo para Ribeirão Preto e que entendem que Só o Leite Lopes a Qualquer Custo lhes serve, porque demora 10 anos para construir um novo aeroporto.

O jornal A Cidade de 22/06/2014[i] fez uma reportagem bastante extensa e interessante sobre a ampliação do Leite Lopes. Melhor falando, da falta de ampliação do Leite Lopes e transcreveu com maestria o inconformismo e as lamurias dos defensores, a qualquer  o custo, da ampliação do Leite Lopes, a quem denominamos, de SLLQC.

Estão tristes, inconformados e lamentam que os seus devaneios não se realizam. Vejamos os principais:

Perdas da ordem de 1 bilhão de reais/ano

Segundo a FIESP/CIESP as perdas de lucros são da ordem de 1 bilhão de Reais/ano (=83 milhões de Reais/mês). Como o movimento de cargas em janeiro deste ano foi quase de 62 toneladas, teríamos então um movimentaço de R$1.340,00 por quilo transportado!

Como as exportações/importações aéreas são feitas no Leite Lopes usando-se as viagens comuns para Viracopos ou Cumbica (onde se concentram as cargas internacionais) não será por termos um aeroporto pseudo cargueiro que vai alterar essa configuração. Fica, portanto, meio dificil de entender como é que esse fato irá aumentar o transito de cargas aéreas na região se elas já são normalmente transportadas.

Há algum tempo atrás, especialistas em negócios garantiam que a estadia da seleção francesa em Ribeirão Preto iria atrair mais de 10.000 franceses. Além dos membros da seleção e de alguns jornalistas, não veio francês nenhum.

Será que os tais 1 bi de prejuízos estimados pela falta do Leite Lopes ampliado são o resultado dos mesmos especialistas que estimaram a vinda  dos tais 10.000 franceses?

Os jornalistas franceses chegaram e, apenas em poucos dias, logo perceberam que as elites canavieiras daqui não passam de simplórios provincianos. 

Essa também é a nossa tese faz tempo e mostramos como argumento Bauru: tem dois aeroportos e o novo permite futuras expansões sem problemas sócios ambientais e técnicos. Fruto da luta das verdadeiras elites dessa cidade, com visão de futuro. Visão cosmopolita e não de provinciano.

Antes que esqueça: O aeroporto de  Bauru-Arealva tem um movimento de cargas aéreas maior que o Leite Lopes.

A falsa divulgação de que o projeto de ampliação do Leite Lopes já estava aprovado e tudo pronto para o inicio das obrasm, em 2011!

Mas a noticia continua:

Com base no Estudo de Viabilidade Técnica (EVT) que verifica questões ambientais e legais para a expansão e melhoria, a empresa projetista enviou quatro cenários que poderiam ser feitos no local. A SAC, no entanto solicitou uma quinta opção”

Gente! Que vergonha! Tanto o governador quanto a prefeitura e o DAESP afirmando que a partir de tal mês (julho de 2011) as obras estariam começando com término estimado para tal data, porque tudo já estava pronto e aprovado. E hoje ainda não tem nenhum projeto aprovado!

Antes que esqueça: só tem projetos reprovados desde 1997!

E os SLLQC que sempre acusaram o Ministério Público e o nosso Movimento de estarmos “astrapalhando o progréssio” na verdade o que atrapalha o desenvolvimento de Ribeirão e região é a insistência  irresponsável de tentar ampliar o que não pode ser tecnicamente ampliado.

Opinião dos técnicos do Movimento, opinião dos técnicos em aeroportos, opinião do Ministério Público, opinião do Judiciário que proibiu essa ampliação e também da Secretaria da Aviação Civil.

Mais 4 projetos reprovados além da reprovação do EIA-RIMA e de todos os projetos subsequentes, inclusive o do RRA[ii]. Desde 1997! Haja persistência!

Mas quem é que apoia esse absurdo, já comprovadamente insano de ampliação do Leite Lopes em lugar de se proceder à construção de um novo aeroporto decente e seguro, sem problemas sócioambientais e apto a receber todas as ampliações futuras?

Os defensores históricos da ampliação do Leite Lopes merecem entrar no Livro dos Records (Guiness) como os maiores sem-noção do planeta.

Sempre novos custos nos intermináveis projetos apresentados no decorrer dos anos, aproximam-se dos custos de um aeroporto novo e muito maior

Mas, tem mais ainda:

Mesmo a SAC, dizendo que não sabe quanto ai custar o “novo” Leite Lopes ...[estima-se que] as intervenções vão custar 413 milhões ...

Assim não dá gente!!!! Fica complicado! A cada inovação o custo passa de cento e poucos milhões para mais de quatrocentos milhões. Alguma coisa está errada.

O projeto de aeroporto para S. Roque[iii], pretendido pela iniciativa privada, numa área de 2000 hectares (11 vezes maior que a do Leite Lopes) com 2 pistas com 2500 e 2000 metros (Leite Lopes apenas com uma, curta, de 2100 metros). Custo previsto: 1,2 bi – ampliação do Leite Lopes: 0,5 bi

É o resultado de querer transformar um fusquinha 66 num porche!

O estranho é que se for verdadeiro que o lucro perdido pela não ampliação do Leite Lopes é de 1 bilhão por ano, desde 2008, já se vão 6 bi de prejuízo ou seja, se a iniciativa privada em Ribeirão Preto tivesse realmente alguma iniciativa, ela mesmo já teria construído um aeroporto novo, muito maior, ao preço de 1,2 bi! E já estariam no lucro!

Os franceses estão certos e têm uma visão bem aguçada: aqui na cidade, por ocasião da Copa, jornalistas franceses, apenas com alguns dias de contato com as nossas pseudo-elites locais e canavieiras, logo as qualificaram como provincianas e burguesas.

Esses provincianos burgueses não conseguem entender que Ribeirão Preto e região já constituem uma região metropolitana e por isso devem dispor de um aeroporto adequado ao seu desenvolvimento e o Leite Lopes não serve.

Felizmente, ano que vem teremos um novo  Governo do Estado e a novela da ampliação do Leite Lopes acaba e começamos a trabalhar sério por um aeroporto novo. 

POVO ESCLARECIDO JAMAIS SERÁ ILUDIDO

Diga Sim a revogação da Lei do Uso do Solo
Diga Não à ampliação do Aeroporto e desvalorização das casas
Nas eleições de 2014  e 2016:
Diga Não aos candidatos que “vendem” o Papai Noel Leite Lopes










[i] http://www.jornalacidade.com.br/noticias/cidades/NOT,2,2,963515,Ampliacao+do+Leite+Lopes+nao+decola.aspx
[ii] RRA Relatório de Regularização Ambiental
[iii] http://br.financas.yahoo.com/noticias/sac-autoriza-constru%C3%A7%C3%A3o-aeroporto-s%C3%A3o-195400660.html