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domingo, 26 de março de 2017

Alerta: Na reintegração de posse da Leão & Leão, a prefeitura não pode passar o trator em tudo.

https://ocalcadao.blogspot.com.br/2017/03/alerta-na-reintegracao-de-posse-da-leao.html?spref=fb

Foi a novela da ampliação do aeroporto Leite Lopes que gerou cerca de 20 favelas no seu entorno . Pois os grandes proprietários não sabem até hoje como serão definidas as zonas de exclusão de ruídos (onde não é permitido a moradia de ninguém) e deixaram suas áreas inertes,  o que atraiu as ocupações.


Solução: transferência do aeroporto para outra área que seja adequada para um aeroporto do porte que Ribeirão Preto precisa  e deixar a cidade crescer normalmente onde está situado o aeroporto, evitando os conflitos sociais que hoje estão ocorrendo. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Nossa visita ao Jd. Aeroporto e o flagrante de uma remoção na favela da Caconde!



Hoje de manhã estive em nome do blog O Calçadão, e junto do líder comunitário local Marcos Sérgio, visitando as comunidades de Nazaré Paulista e João Pessoa no Jd. Aeroporto. Duas comunidades limítrofes ao Leite Lopes e que estão no alvo das reintegrações de posse e desapropriações previstas no obscuro e pouco debatido projeto de internacionalização do aeroporto.

A comunidade João Pessoa tem cerca de 30 anos e hoje tem 150 famílias. A comunidade Nazaré paulista tem 3 anos e conta com 170 famílias.

Na comunidade João Pessoa encontramos a líder comunitária Márcia Ap. Santos. Márcia nos contou que sua comunidade já foi até motivo para uma tese acadêmica relacionada aos problemas sociais na região. Diz que o tal projeto de desfavelização propagado nunca ocorreu de fato. "Algumas casas são removidas, mas a Prefeitura deixa o entulho no lugar e logo ocorre nova ocupação".



Na Nazaré Paulista encontramos com o senhor José Augusto. Em comum em todas as comunidades a vontade de permanecer no local que escolheram para morar. "Ninguém gostaria de sair daqui. Nossa casa é aqui. Quem tem que sair é esse aeroporto, que se construa um novo em outro lugar fora da cidade e que nossas comunidades se transformem em bairros com infraestrutura", diz.


Caminhando pelas comunidades, vimos nos semblantes das pessoas a expressão de preocupação com seu futuro. "Precisamos transformar isso aqui num bairro e quem sabe a gente não consegue implantar aqui uma biblioteca comunitária", disse ao blog uma senhora que nos encontrou pelo caminho.


De repente somos avisados que cerca de 1 km dali caminhões da Prefeitura estavam derrubando barracos da favela da Caconde. Rumamos para lá.

Chegando ao local constatamos que parte dos barracos haviam sido derrubados e quando nos apresentamos como imprensa, os caminhões e tratores se retiraram, junto com as viaturas da Guarda Civil Municipal.

Os moradores nos mostraram um documento atestando que ontem foram avisados que dentro de 40 dias deviam sair do local. Mas hoje de manhã a surpresa. "Eles chegaram e já foram derrubando. Quando perguntamos eles disseram que os barracos onde o morador não estava seriam derrubados. Até chegaram a chutar nossas coisas", diz uma moradora.



De tudo o que vimos hoje fica a lição: a população de Ribeirão Preto conhece muito pouco sobre a própria cidade e quantas remoções forçadas como essa devem ocorrer sem que nós fiquemos por dentro?

Continuamos com nossa opinião: gente não é entulho para ser removida. A solução para essa questão social está em outra instância, na instância das políticas públicas que respeitem as pessoas e os locais onde elas moram. São cerca de 30 mil famílias hoje em condições precárias de moradia em Ribeirão Preto. Truculência e remoções nunca foram e não serão solução de nada.

Continuaremos acompanhando e descobrindo mais sobre a região do Jd. Aeroporto.

Onde há movimento social, O calçadão estará presente!

Ricardo Jimenez

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Justiça suspende reintegração de área ao lado do aeroporto de Ribeirão Preto


Comunidades João Pessoa e Nazaré Paulista: suspensa reintegração de posse

Famílias alegam que terreno era ocupado por entulho e já se tornou "bairro".

Defesa dos proprietários diz que analisa sentença para decidir se recorrerá

sábado, 30 de maio de 2015

A POLITICA HABITACIONAL DE RIBEIRÃO PRETO, O LEITE LOPES E A REFAVELIZAÇÃO

As áreas vazias como atrativo para favelas


A falta de políticas públicas de moradia popular é um dos principais geradores da favelização das cidades. Não é novidade para ninguém mas poucos têm tido a coragem de se referir a esse fenômeno social de forma objetiva, preferindo as justificativas e explicações pela filantropia demagógica ou a argumentos de patologia de comportamento social.

Numa entrevista com o arq. Nabil Georges Bonduki, secretário de Cultura do município de S. Paulo, confirma:

Na periferia, muitos espaços eram destinados para praças, pois, quando há um loteamento, este deve doar para a prefeitura uma porcentagem do terreno para áreas verdes, institucionais etc. Só que essas áreas, em vez de serem destinadas para o coletivo, ficaram muitas vezes abandonadas, porque o poder público não implantou praças. Depois,  por carência de política de habitação, acabaram ocupadas por favelas e assentamentos precários.[i]

Somando-se falta de políticas publicas de habitação popular com áreas abandonadas, criam-se glebas ocupáveis por favelas ou outros tipos de assentamentos precários. Ou, talvez, buscando-se uma melhor resposta para a infestação desses tipos de urbanização, não haja falta de política publica de moradia popular mas sim que essa falta seja exatamente a política pública em uso.

Dessa forma, o estado não cumprindo as suas obrigações de efetivar o uso social das áreas não ocupadas nos loteamentos de baixa classe média (os remediados entre os pobres) estará incentivando  a sua ocupação pelos mais pobres e alguns espertos que vêm nessas urbanizações oportunidades de negócios imobiliários.

A favelização incentivada pela burguesia

A burguesia sentindo-se encurralada e não querendo pobres próximos de seus bairros, filantropicamente disfarçada, assume atitudes solidárias, progressistas e sociais, toma decisões de incentivar e de validar essas ocupações,  garantindo a segregação social de modo  que os pobres se amontoem em verdadeiros guetos.

Agindo dessa forma, as classes média e alta que têm as suas áreas publicas bem implantadas, não se atormentam porque sabem que não terão uma vizinhança de favelados.

Esse modelo tem sido amplamente aplicado em Ribeirão Preto nos últimos anos.  Têm ocorrido tantas ocupações em áreas publicas e mesmo particulares, que logo mais será necessário importar pobre para ocupar todas elas.


A favelização como consequência da exploração dos trabalhadores

E resta ainda uma pequena pergunta: Porque razão só existem favelas nas cidades grandes e médias (como Ribeirão Preto)?

Porque nessas cidades a necessidade de mão de obra é muito grande (corte de cana e construção civil por exemplo) e, quando o serviço acaba, esses trabalhadores são simplesmente abandonados à sua sorte e não têm outra alternativa senão ocuparem barracos em favelas porque não têm serviço fixo que lhes garanta uma renda adequada.

Ocupam esses barracos, não pagam energia elétrica, não pagam água, não pagam IPTU e pagam pequenos alugueis ou compram essas “moradias” dos “investidores imobiliários” especializados nesses negócios. Muitas vezes são enganados porque esses “investidores” lhes garantem que serão retirados pela prefeitura e ganharão casas.

A maioria dessas áreas ocupadas consolidam-se e  tornam-se permanentes e dessa forma as cidades se degradam desenvolvendo-se a descriminação de suas populações, criando-se guetos e sempre se insinuando que favelado é um marginal e um bandido.


Mas o que é que o Leite Lopes tem a ver com a refavelização em Ribeirão Preto?

Algumas áreas que já sofreram o desalojamento mas permaneceram sem uso, foram reocupadas. Essas favelas ocupavam o espaço destinado ao aumento da área patrimonial do Leite Lopes, para garantir as normas de segurança das operações dos aviões.

Foram apenas  as partes das favelas que interferiam com o remanejamento  da R. Americana e a R. Pouso Alegre. As partes das favelas que não interferiam nessa relocação viária nem mesmo foram mexidas e muito menos urbanizadas e representam a imensa maioria das áreas ocupadas por favelas.

E chamaram a esse desfavelamento cirúrgico de ganho social decorrente do Papai Noel Leite Lopes.

Não foi a implantação dum projeto de desfavelamento mas sim de limpeza do terreno, da mesma forma que se limpa o mato,  se limpou a gente que “astrapalhava o progréssio”.

Retiraram e botaram esse estorvo  lá para as outras bandas da cidade, em casas ou apartamentos, sem nenhum critério e sem nenhum trabalho social de conscientização e preparo para a mudança.

Aquele preparo mínimo que uma vez o juiz Gandini definiu como sendo “tirar as pessoas da favela e tirar a favela da cabeça das pessoas”. Muitas famílias ficaram sem renda porque nos terrenos dos barracos tinham espaço para armazenarem os recicláveis para venda e nas novas moradias não.

Por isso ficaram sem condições econômicas de pagarem as prestações das casas que “ganharam” assim como todas as outras despesas inerentes à “doação”.

O poder público municipal após o desalojamento dessas famílias que “astrapalhavam o progréssio” poderia ter simplesmente deslocado a cerca do Leite Lopes, remanejado as vias e pronto.

Mas para fazer isso teria também que desalojar as famílias que não são faveladas. Teria que publicar o decreto de interesse publico, proceder às desapropriações e teriam como reação a indignação das pessoas que vivem enganadas pelo tal Papai Noel Leite Lopes, subornadas pela hipotética e imaginária supervalorização dos terrenos por causa da internacionalização do aeroporto.

Isso não interessava à propaganda do “progréssio” porque ficaria evidente que seria às custas das economias de uma vida inteira de trabalho  de famílias pobres e remediadas para facilitar os negócios de alguns privilegiados, gerando a revolta popular, pois almejam enfrentar a inevitável indignação popular com o uso por força judicial, somente no final do processo.

Para impedir novas ocupações, deixaram todos os escombros no local, como criadores de vetores urbanos tais como mosquitinhos da dengue, escorpiões, ratos e outros, além dos vazamentos de água das antigas ligações clandestinas dos barracos.

As obras não foram feitas, impediram a indignação popular e ficaram aguardando. Tanto aguardaram que as áreas foram novamente ocupadas, inclusive por alguns dos antigos ocupantes. Outros, novos, têm a ilusão de que vão “ganhar” casa de graça.

A especulação imobiliária das favelas corre solta na área. Além da refavelização das antigas favelas derrubadas, novas estão sendo implantadas e não é só no entorno do Leite Lopes. É pela cidade inteira.


Escombros da limpeza social. Note-se que
 apenas parte da favela foi removida. O
restante, que não estorvava, permaneceu no local



Nas áreas vazias pela limpeza social inicial, a refavelização já está em curso



A tradicional propaganda que as obras começarão em breve

Agora afirmam que a partir de Setembro próximo as obras de responsabilidade do estado e do município vão começar. Será?

Ano que vem teremos eleições municipais. Os políticos ligados ao governo municipal e aos partidos  do governo estadual vão querer perder os bons votos de seus amigos desamparados que moram nas favelas e dos futuros desapropriados a preço de banana[i]?

Sabemos que o governo federal não vai colocar um centavo no Leite Lopes enquanto que a situação judicial do Leite Lopes não esteja resolvida. Será que vai estar resolvida até Setembro, quando o governo estadual afirma, por intermédio de nossos edis genuflexíveis, que as obras vão começar?

Se não existisse o entrave de benesses a um setor econômico especifico ligado ao Leite Lopes, já teríamos um aeroporto novo e decente operando em Ribeirão Preto a um custo um pouco maior que o destinado a um puxadinho no Leite Lopes que dificilmente irá ocorrer.


Congonhas em Ribeirão Não!
Leite Lopes ampliado = mais favelas
e maior risco de acidentes.
Novo aeroporto em nova área



[i] Por acaso alguém conhece alguma desapropriação cuja indenização permitiu a compra de um bem equivalente ao desapropriado? Pela Constituição a indenização tem que ser pelo preço justo e as normas  de avaliação obrigam ao custo de reposição do bem e não pelo valor de mercado.








[i] Revista pagina 22 edição 95 Maio 2015 FGV pag 15

quarta-feira, 5 de março de 2014

OS MOVIMENTOS SOCIAIS E OS URUBUS DO LEITE LOPES

SLLQC É o grupo de pessoas e de entidades que insistem em não deixar construir um aeroporto novo para Ribeirão Preto e que entendem que Só o Leite Lopes a Qualquer Custo lhes serve

Os urubus, desde 1997, rodam o Leite Lopes. Um dos tipos dessa ave é a própria: os urubus de penas são atraidos por terrenos vazios onde pessoas sem qualquer tipo de escrúpulo, verdadeiros sem-noção de cidadania e de higiene, depositam lixo e animais mortos, promovendo um “bom prato” aviário.

Quando ocorre perto de uma pista de aeroporto, constitui  o chamado risco aviário para aviões e helicopteros.

Uma prefeitura inábil que não consegue fiscalizar esses desmandos nem a de assumir as suas responsabilidades de implantar um Programa Municipal de Destinação de Residuos Sólidos, também tem a sua quota parte como partícipe-mor dessa irresponsabilidade social.

Uma prefeitura inábil que não consegue nem tem o interesse em desenvolver campanhas midiáticas para esclarecimento desses deseducados cidadãos, embora as verbas de propaganda gastas pela Prefeitura sejam bastante elevadas mas que  ninguém vê exatamente com o que é gasto.

Durante décadas, terrenos que estavam às moscas, abandonados e sem cumprirem a função social da propriedade, como manda  a Constituição, foram paulatinamente ocupados por familias de sem teto, por falta de politicas públicas de moradia popular.

De repente, outro tipo de urubu surge, atraído não pela carniça mas sim pelos negócios de um certo empreendimento a ser implantado no Leite Lopes.

É o urubu da especie SLLQC que impede a construção de um aeroporto novo, decente e que possa atender às necessidades presentes e futuras do desenvolvimebto regional.

Aquelas familias que ocuparam esses terrenos que estavam disponíveis fisicamente, sem o uso de sua função social (portanto passíveis legalmente de ocupação) e que foi feita sem violência, de repente viraram alvo dos interesses dessa nova leva de urubus.

Essas familias foram expulsas, muitas sob extrema violência, para liberar as áreas legitimamente ocupadas, para garantir os interesses economicos e corporativos ligados exclusivamente à expansão do Leite Lopes.

Essas famílias foram expulsas, os seus barracos derrubados, virando entulhos  criadouros de pestes urbanas e depósito de lixo para alimentação dos outros urubus, daqueles que voam. Aqueles urubus que têm uma função ecológica muito importante que é a de manter limpos os terrenos de carniça.

Essas aves não geram carniça. As  outras geram carniça social sem qualquer dó desde que consigam implantar os seus negócios e obter um bom lucro.

Areas que tiveram a limpeza social executada para atender às imaginárias obras imediatas de ampliação do Leite Lopes, empreendimento que já supunham aprovado na sua tentativa de enganar o judiciário e a cidade de que não haverá ampliação da pista – proibida por sentença judicial e que tecnicamente foi considerada como inadequada – mas apenas uma pequena adaptação através de um projetinho ajeitado para fazer uma tal de Regularização Ambiental (RRA).

Não conseguiram – mais uma vez[i]- e tudo lá está vazio, com escombros, carniça e pestes urbanas. Um risco para a população residente no entorno e um risco aviário para as operações do aeroporto.

O número de desalojados nesta cidade é muito grande. As diferenças sociais são gritantes e as familias de baixa renda  – que são constituidas por cidadãos que têm o direito a moradia – não dispõem de políticas públicas de moradia popular.
                                                                                                     
A prefeitura deveria definir essas políticas públicas e dispõe de  uma empresa municipal encarregada de implantar essas politicas  e cujo superintendente  é também o presidente do Conselho Municipal de Moradia Popular, que não se reune para formatizar as diretrizes das políticas públicas.

Os sem teto já entenderam porque é que Ribeirão Preto não tem políticas públicas para a moradia popular. Não é por falta de vontade politica: é porque a ausência de politicas públicas é a politica pública.

Recentemente um grupo de 180 famílias de sem teto ocupou uma dessas áreas disponíveis e que estava a serviço dos urubus sem penas e de restaurante  para os urubus que voam.  

Entram as pessoas e a área não fica disponível para os urubus que voam.

Desta forma se melhora a segurança nas operações do Leite Lopes por redução do risco aviário e se faz uma área urbana começar a cumprir a sua função social.

Surgiu uma nova comunidade: a Nova Esperança – Nelson Mandela

Veja o vídeo:



E contra esta  comunidade os urubus sem penas não vão poder agir com a  mesma violência que usaram para com as anteriores, dentre elas, a Favela da Familia[i],  de triste memória.

Porque o Movimento Pró Moradia e Cidadania, o Movimento Pro Novo Aeroporto, a União dos Movimentos de Moradia, a Central de Movimentos Populares e todos os cidadãos dignos desta cidade não vão deixar

MORADIA RESPEITO DIGNIDADE
OCUPAÇÃO NÃO É INVASÃO

VIOLÊNCIA NEM POR SENTENÇA

O Povo Unido e bem orientado, não será molestado nem enganado



[i] Favela da Família em julho de 2011 forças policiais invadiram a comunidade com grande violência através de cavalaria, cães,  bombas, tiros de bala de borracha, não respeitando mulheres grávidas, idosos e sequer advogados da OAB que buscavam pacificar a ação. Ver filme em: http://www.youtube.com/watch?v=jgTN7mpPZeA




[i] Gente persistente: em 1997, em 2005, em 2008 e agora em 2011, até hoje. Se tivessem construído o novo aeroporto, em local adequado, como mandava a lei mnicipal,  ele já estaria em operação sem causar nenhum impacto sócio ambiental e urbanístico e o entorno do Leite Lopes estaria seguro para as  comunidades lá residentes faz décadas.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Entorno do Aeroporto: Não é invasão, é ocupação

Não é invasão, é ocupação. Não é bagunça, é exercício da cidadania. Não é contra o proprietário, é a favor da função social da propriedade. Não é contra o Governo, é a favor de mais política habitacional. Não é para lucrar, é para necessidade. Não beneficia só alguns, beneficia toda a cidade.

A terra tem uma função social que tem que ser atendida. Está na suprema lei do Brasil que toda a propriedade tem que atender à função social para a qual ela existe. E a função social da propriedade é, em resumo, servir à pessoa, seja como fonte de moradia, seja como fonte de renda, sendo que, em ambos os sentidos, a propriedade deve estar sendo produtiva, e a partir do momento que se torna improdutiva deve ser reivindicada e sofrer pressão para que se torne produtiva.

A propriedade improdutiva além de causar ócio e ser desperdício, engendra sofrimentos, sendo contundente exemplo de sofrimento a falta de moradia.
No Brasil o número de prédios abandonados quase equivale ao número do déficit habitacional (ócio + desperdício = sofrimento). Em Ribeirão Preto o atual déficit habitacional é de cerca de 40 mil moradias. Sendo que Ribeirão está dentro da mais alta especulação imobiliária, tem centenas de terrenos e prédios desocupados, está entre os 40 maiores orçamentos do Brasil e é o 30º maior PIB do Brasil.

Ou seja, Ribeirão é uma cidade muito rica, tem áreas para construção, tem prédios abandonados, e ainda assim concentra déficit habitacional.
E o dinheiro que financia moradias populares nem vem do município, vem do governo federal a maior parte do investimento, através de transferências de receitas tributárias e do programa Minha Casa Minha Vida.

Qual é o problema então?

O problema é a falta de vontade política do atual Governo municipal de Ribeirão para agilizar, com qualidade, o desenvolvimento da política habitacional na cidade.

Porém, diante de falta de vontade política nós não podemos nos acomodar. Não podemos aceitar tão menos quando se pode fazer tão mais. Aceitar também é ser conivente. E é pensando assim que hoje fizemos mais um ato a favor da função social da propriedade e de mais moradias populares.

Pessoas que aguardam na fila por moradias descobriram a existência de uma grande área desocupada que fica próxima ao Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão. Há décadas a área está abandonada, não servindo nem a produção, nem a população, ao contrário, servindo tão somente para prejudicar o direito à moradia diante da especulação imobiliária que ela causa, e assim faz com que a terra fique cada vez mais cara em prejuízo daqueles que têm necessidade.

A área é de propriedade da construtora Stéfani Nogueira, que alegou ao jornal Folha de São Paulo 
que está impedida de fazer melhorias no local e comercializar o terreno em razão do projeto de ampliação do Aeroporto Leite Lopes.

 E a "história" de ampliação do aeroporto, por outro lado, se repete há décadas também, e até agora não se tem nem a ampliação do aeroporto e nem ocupação produtiva por parte do Governo municipal das áreas desocupadas que lá existem.

E sendo o Governo contraproducente, nosso silêncio nos torna coniventes. E para não sermos coniventes a área foi agora ocupada por cerca de 150 famílias que reivindicam moradias dignas para viver, mas que, todavia, a maioria delas, há mais de 20 anos só tem seus nomes inscritos em cadastros do município para moradias populares. As estacas de madeira já foram colocadas, dividindo assim o espaço para cada barraco ser levantado. O objetivo da ocupação não é o de tirar a área do proprietário, mas sim, de pressionar o Governo a promover mais moradias populares na cidade.


E o Movimento Pró Moradia e Cidadania está apoiando e assessorando essas pessoas, porque entende que ocupar essa área é dar efetiva função social à propriedade, pressionando o Governo municipal a promover mais moradias populares, resolvendo, dessa forma, muitas de nossas mazelas sociais. A terra, antes de tudo, não é um negócio, é um direito. 



sábado, 14 de dezembro de 2013

MENSAGEM DE FIM DE ANO

O ano de 2013 está no fim. Junto com ele, também as esperanças dos SLLQC de que poderão explorar Ribeirão Preto à custa de seu desenvolvimento. A ampliação do Leite Lopes está sendo contestada no judiciário e já se conscientizaram  que existe uma grande dúvida se vão conseguir os seus intentos.

Comentários na imprensa já consagram o Leite Lopes como o aeroporto internacional de Teco-Tecos, tal a desmoralização desse projeto.

Cicatrizes, porém, ainda marcam a cidade.

Em 2010, na fuçanguice de preparar o entorno do Leite Lopes, para atender aos interesses do governo do estado e os próprios (entre outros, tentar mostrar serviço), a prefeitura começou a fazer um pretenso desfavelamento parcial tendo como principais atributos a prepotência do poder de estado, sem nenhuma preocupação com as famílias que seriam desalojadas.

A tragédia que se abateu sobre a Favela da Família foi um bom exemplo da forma como essa prática de política pública foi implementada.

O Movimento Pro Novo Aeroporto, o Movimento Pro Moradia e Cidadania  e outros movimentos sociais e personalidades diversas se insurgiram com esses atos absolutamente inadequados contra populações indefesas e exigiram mais respeito. A bandeira levantada de imediato foi “Violência, nem por sentença”.  

As imagens dessa reintegração de posse atravessaram o mundo e o fotógrafo que registrou toda essa violência com sentença ganhou o  “Premio Vladimir Herzog de Fotografia”.



O Jornal A Cidade reviveu essa história com a edição especial de 01/07/2013 com o titulo apropriado: MEMÓRIA VIVA: de julho de 2011 a julho de 2012. Só uma coisa não mudou na vida dos favelados: a sina instável e provisória.


A Cidade 01/07/2012

Esses movimentos acompanharam os reassentados  e demonstraram algumas irregularidades na distribuição das novas casas, inclusive desconstruindo aquela velha falácia de que “ganharam casa” porque na verdade ganharam foi um carnê pra pagar a prestação do financiamento e outro para pagar o IPTU, além de casas com vazamentos e contas altíssimas de água, de falta de escolas, posto de saúde, comercio, serviços, caracterizando a pressa para abrir espaço para a ampliação do Leite Lopes e a falta de respeito do poder publico municipal para com os cidadãos de baixa renda. 



As construções desocupadas foram imediatamente  derrubadas, transformando tudo em entulhos e lixo. Algumas estavam localizadas em áreas verdes e como tal deveriam ter sido recuperadas, devolvendo-as às comunidades que por elas pagaram quando compraram os seus lotes.

Mas não foi feito. Nada foi feito. Os escombros lá permanecem, entulhados, cheios de lixo, criadores de pragas públicas tais como baratas que atraem escorpiões, ratos que atraem cobras além de  muitos criatórios de mosquitos e pernilongos, vetores de dengue. Tudo isso, dizem, para impedir novas invasões e o aumento das favelas na cidade mas na verdade apenas para liberarem a área para que o governo do estado possa ampliar o Leite Lopes para atender a seus interesses ideológicos. 

Tanto assim é que o desfavelamento no entorno do Leite Lopes não foi completo. Apenas foram removidos os favelados que atrapalhavam o projeto. Os restantes permaneceram no local, sob ameaça de reintegração de posse, ou seja, sob ameaça de novas cenas de violência com sentença judicial e sem terem para onde ir a não ser para construir novas favelas.

As favelas continuam avançando na cidade inteira porque não existem políticas públicas de habitação popular. Existem verbas estaduais e federais mas como não existe a política pública, também não existem projetos. Então não saem as verbas. E Ribeirão Preto perde em verbas, em qualidade de vida e em cidadania.

E se não existem políticas saudáveis de desfavelamento então não existe desfavelamento nenhum mas apenas a limpeza social quando as favelas atrapalham os interesses econômicos e políticos.




Por isso tudo, neste final de ano de 2013 o Movimento Pro Novo Aeroporto se despede de nossos leitores desejando um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, de preferência com um novo governo estadual em 2014 que suspenda a insensatez da ampliação do Leite Lopes e se comece a construção do novo aeroporto que a região precisa e merece.

Também a esperança de que Ribeirão Preto possa vir a ter um Plano de Habitação Social como determina a legislação e é uma exigência da Constituição quando garante o direito a uma moradia digna.

E como não poderia deixar de acontecer, “cantar parabéns” para os entulhos do falso desfavelamento que estão completando três aninhos de vida com ampla distribuição de pragas urbanas a toda a comunidade no entorno do Leite Lopes, com direito a bolo e a convidados especiais:




Moradia digna sim!
Violência por sentença Nunca Mais!


Congonhas em Ribeirão Não!

O Leite Lopes fica como está, sem puxadinho
e com uso alternativo

 Novo aeroporto em nova área já!